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Sobrenomes que intitulam algumas figuras na política

 Com as eleições e as pré-campanhas em curso, volta à cena um fenômeno já conhecido na política: o uso de “sobrenomes” por algumas figuras que se colocam — ou se autoproclamam — como lideranças políticas. Surgem, então, personagens como Fulano da Saúde, Beltrano do Transporte, Ciclana do Mototáxi, Fulano do Táxi, Fulana da Educação, entre tantos outros.

Esses “sobrenomes”, em geral, não surgem de forma espontânea nem do reconhecimento coletivo, mas são criados e difundidos pelos próprios interessados. E é impossível não perceber que, na maioria das vezes, tais títulos estão diretamente ligados a falhas e deficiências históricas das políticas públicas. Daí nasce a pergunta elementar: por que essas pessoas adotam esses sobrenomes? Para chamar atenção? Para demonstrar que realmente fazem o que dizem fazer?

A verdade é que essa pergunta raramente tem resposta concreta. O que se ouve nas comunidades é outra indagação, ainda mais direta: será que fulano faz mesmo isso? Será que fulana entrega o que promete? Questionamentos que permanecem sem resposta, enquanto os sobrenomes seguem estampados lado a lado com figuras que se dizem impolutas na política, mas que, segundo o próprio povo que convive com elas, pouco ou nada fazem em termos de políticas públicas reais.

É preciso, portanto, muita atenção da sociedade. Em muitos casos, essas ações são apenas estratégias para angariar votos, transformando direitos básicos em moeda de troca — seja no presente, em disputas para cargos legislativos, seja mirando projetos políticos futuros. Trata-se do velho e conhecido “toma lá, dá cá”, no qual serviços que são dever do Estado passam a ser utilizados como favores pessoais.

Saúde, educação, transporte e assistência social não são benefícios concedidos por indivíduos, mas obrigações do Município, do Estado e do Governo Federal. Basta observar com atenção: quantos “fulanos” e “fulanas da saúde” existem em cada comunidade? E, entre eles, quantos realmente atuam de forma social, sem interesses eleitorais, sem troca por voto?

Chegou o momento de o povo identificar com clareza a verdadeira identidade eleitoral de cada um e responder com firmeza aos aproveitadores de plantão. Consciência política, senso crítico e memória são ferramentas essenciais para não transformar direitos em favores — e nem o voto em moeda de troca.

Visão Cidade

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