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A maior novela escrita na Bahia

Já passou por três escritores, diversos roteiristas, personagens indefinidos e atores que ainda não sabem qual papel irão defender. Tudo isso sob a promessa de um grande diretor, daqueles que enchem os olhos pela suposta capacidade de conduzir um roteiro grandioso.

A novela da qual sou a personagem principal, porém, nunca sai do papel. A cada momento surge um novo escritor, cada um trazendo um roteiro diferente, sem qualquer definição. Parece aquelas novelas intermináveis, que se arrastam sem rumo. Afinal, já são mais de 20 anos sendo escrita, recheada de protagonistas, promessas, embrulhos e dúvidas.

O mais impressionante é que os próprios escritores não sabem onde a história começa, tampouco como irá terminar. Já passei por inúmeros estudos: estudos técnicos, estudos econômicos, estudos ambientais — tudo o que se possa imaginar. Ainda assim, nada se concretiza. Não há definição sobre o meu futuro. Sou, até aqui, uma novela sem fim, sem começo, sem meio e sem desfecho. Tudo permanece no campo das hipóteses.

O primeiro escritor iniciou a trama, o segundo reescreveu, o terceiro continua reescrevendo — e nada de real, nada palpável. Diferente das novelas exibidas na televisão, que têm enredo, início, desenvolvimento e conclusão. A minha não tem princípio, não tem meio e não tem fim. Apenas se comenta que será dirigida por “olhos apertados”, como dizem, apontados como os melhores diretores dessa história.

Afinal, você já sabe de quem estou falando. Eu sou a novela da Ponte Salvador–Itaparica. E, apesar de tudo, tenho certeza de que um dia serei vista por todos, com começo, meio e fim. Um começo aguardado, um meio marcado pelo desenvolvimento e um final em que serei símbolo de mobilidade acessível, progresso, sustentabilidade e crescimento.

Sobre mim passarão a saúde, a educação, o intercâmbio de pessoas, ideias e oportunidades. Serei ligação, caminho e futuro. Mesmo que poucos resistam, mesmo que muitos desejem, mesmo em meio à negatividade de alguns, estarei ali cumprindo o meu papel.

Sou — e serei — a Ponte Salvador–Itaparica. Mesmo com os altos custos, ainda pouco compreendidos, e com tantos estudos já realizados, posso afirmar: o progresso caminhará ao meu lado. Ainda que cada capítulo demore a ser escrito, o futuro que levarei será vitorioso para todos.

Visão Cidade

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