Regulação: imprescindível, porém o maior problema para quem precisa

A redação do A Visão Cidade vem recebendo diariamente informações, pedidos de ajuda e denúncias sobre a grave dificuldade enfrentada por pacientes que necessitam de transferência através da Regulação do Estado da Bahia. São relatos de pessoas que aguardam 15, 20 e até 30 dias por uma vaga em uma unidade hospitalar de referência. Infelizmente, alguns chegam a falecer antes mesmo de conseguir o atendimento necessário.
A verdade é que o sistema de regulação não tem funcionado de forma eficiente. A responsabilidade é do Governo do Estado. As prefeituras, dentro de suas competências, oferecem atendimento inicial através de UPAs e unidades municipais, porém o gargalo está justamente na transferência para hospitais especializados. Familiares não sabem a quem recorrer, e o sentimento que prevalece é o de desespero. Muitos já buscaram a Justiça para garantir o direito à vida — e mesmo assim não conseguem êxito.
A promessa de campanha, amplamente divulgada, era de que a regulação seria zerada e funcionaria de forma plena, digna e compatível com as necessidades do povo baiano. Hoje, o cenário é o oposto: em qualquer UPA, de qualquer município, há pacientes aguardando o tão falado sistema de regulação — que se tornou símbolo de sofrimento e descaso.
Recentemente, inclusive, auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) expôs o agravamento desse problema:
Tempo de espera na fila da regulação triplicou nos últimos 5 anos na Bahia, diz TCE
A análise mostra que entre 2019 e 2024 — do fim do governo Rui Costa (PT) ao segundo ano da gestão Jerônimo Rodrigues (PT) — o tempo médio de espera aumentou 213%, passando de 1,5 dia para 4,7 dias.
Especialidades mais afetadas:
Cirurgia Torácica: 4,0 → 10,4 dias (+160%)
Hematologia: 4,7 → 7,8 dias (+66%)
Oncologia (pacientes com câncer): 5,2 → 6,7 dias (+29%)
Urologia: 4,3 → 5,7 dias (+32%)
Pneumologia: 4,1 → 5,6 dias (+36%)
Enquanto isso, familiares utilizam as redes sociais para demonstrar angústia e cobrar providências do poder público. O relato de Antônio Cruz traduz o sentimento de muitos baianos:
“Mais uma reflexão sobre a nossa saúde pública, que está pedindo socorro. Estou com um primo internado na UPA de Paripe há dias e, quando buscamos informação sobre a regulação, a resposta é sempre a mesma. Isso traz uma enorme sensação de abandono.
Sei que a demanda é grande, mas o Estado precisa se estruturar. Já são quase 20 anos sob a mesma bandeira.
Às vezes penso que estamos vivendo na Europa, onde a eutanásia é legalizada — mas aqui, a eutanásia é a nossa regulação. E parece que está tudo normal. Não, não está!
Alguém precisa fazer alguma coisa para amenizar a ansiedade e a angústia dos familiares. Deixo aqui o meu repúdio!”
A regulação deveria ser a porta de acesso à saúde especializada. Hoje, tornou-se a porta fechada da dor, da espera e, muitas vezes, do fim da esperança.
O povo baiano merece respeito. Merece vida. Merece saúde.
Visão Cidade


