Vereador Cláudio Tinoco fala ao site Visão Cidade

O vereador de Salvador, Cláudio Tinoco (União Brasil), concedeu uma entrevista exclusiva ao Visão Cidade. De forma cordial e esclarecedora, ele falou sobre o trabalho do seu mandato, suas proposições e indicações na Câmara Municipal, todas com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da capital baiana. Tinoco também comentou sobre a ponte Salvador–Itaparica, o VLT e até sobre seu hábito de leitura, que considera um importante hobby de cultura.
Visão Cidade
Na próxima semana alguns projetos serão votados na Câmara de Salvador. Quais dos seus projetos estarão na pauta e por que foram colocados?
Cláudio Tinoco:
Apresentei 15 projetos de lei no primeiro semestre de 2025. Já temos diversas propostas aprovadas na Câmara, mas, a partir da definição do Colégio de Líderes, cada vereador terá pelo menos dois projetos apreciados em plenário na próxima semana. Estamos ajustando com a Comissão de Constituição e Justiça e a Comissão de Orçamento para definir quais serão os dois priorizados, após pareceres favoráveis.
Entre eles, destaco iniciativas na área da educação, como a implantação das salas makers, espaços voltados ao desenvolvimento de habilidades em tecnologia e robótica. Muitas escolas particulares já oferecem essa estrutura e queremos que a rede municipal também disponibilize às crianças e adolescentes de Salvador.
Outro ponto é a regulação do motofrete. Já realizamos audiência pública com a categoria e defendemos uma nova regulamentação, garantindo mais segurança e organização.
No turismo, proponho a criação de novas rotas turísticas com foco em sustentabilidade, sinalização tecnológica e melhoria da experiência dos visitantes, gerando emprego e renda. Em resumo, temos um leque diverso de propostas, e meu compromisso é manter um dos mandatos mais propositivos e produtivos da Câmara Municipal.
Visão Cidade
Um dos temas ligados ao seu mandato é a ponte Salvador–Itaparica. O que está sendo feito?
Cláudio Tinoco:
Presido a Comissão Especial de Acompanhamento de Investimentos na Baía de Todos-os-Santos e na Orla de Salvador. Estamos convocando o colegiado para definir um plano de trabalho, que inclui a realização de audiência pública com todos os envolvidos no projeto da ponte.
Queremos avaliar não apenas os impactos viários e de mobilidade, mas também outros aspectos relevantes. Por exemplo: a Feira de São Joaquim, patrimônio cultural e econômico da cidade, está em processo de requalificação. Precisamos ter clareza se o traçado da ponte pode comprometer esse investimento.
Outro ponto é o possível impacto paisagístico na região do Cantagalo e Boa Viagem, área de patrimônio histórico. Isso pode inviabilizar futuros empreendimentos, como marinas, estaleiros e hotéis, fundamentais para requalificar a Cidade Baixa.
Portanto, defendemos que a obra avance, mas com transparência, clareza e participação da sociedade.
Visão Cidade
Saindo um pouco da política, o público do Visão Cidade gosta de saber o que os vereadores fazem fora do mandato. O que o senhor costuma ler?
Cláudio Tinoco:
Com a rotina corrida, a maior parte das minhas leituras é feita em meios digitais, acompanhando notícias para embasar a atuação parlamentar. Mas também busco tempo para a leitura de livros, que considero fundamental.
Sou autor de uma lei municipal que prevê a instalação de pontos de leitura nas estações de transporte de Salvador, algo que ainda precisa ser melhor implementado pela CCR.
Atualmente, estou lendo um livro de uma amiga, lançado recentemente, sobre comunicação e marketing, área pela qual tenho grande interesse e experiência acadêmica.
Visão Cidade
E quanto ao VLT, como o senhor avalia o andamento das obras?
Cláudio Tinoco:
Vejo com satisfação a evolução do trecho entre a Calçada e Paripe, que se estenderá até Simões Filho e também ao Comércio, no Centro Antigo. É importante destacar que fomos responsáveis, em 2023 e 2024, por audiências públicas que apontaram irregularidades no contrato do monotrilho — o que levou à sua anulação.
A população ficou cinco anos e meio sem trens e sem trilhos no Subúrbio. Hoje, a obra do VLT é uma conquista, mas fruto de muita luta e fiscalização.
Ainda assim, me preocupo com o trecho entre Paripe e Águas Claras, onde identifiquei impactos ambientais, como aterro de nascentes e desmatamento. Estamos cobrando mais transparência do Inema quanto às compensações exigidas do consórcio.
Por fim, o trecho entre Águas Claras e Piatã também merece atenção, já que atravessa áreas consolidadas da cidade. Sou defensor do transporte sobre trilhos, por ser sustentável e estratégico para Salvador e para toda a Bahia.
Visão Cidade
Na sua opinião, foi um erro encerrar o funcionamento do trem no Subúrbio?
Cláudio Tinoco:
Sim, foi um grande erro. O governo optou pelo monotrilho, que nada tem a ver com VLT ou metrô, e acabou retirando os trilhos existentes entre Paripe e a Calçada. Isso gerou um enorme prejuízo e atrasou a mobilidade da região.
Agora, os trilhos estão sendo reimplantados, como deveria ter sido desde o início. O transporte ferroviário é mais barato, sustentável e adequado para o Subúrbio, uma das regiões mais belas do mundo. O impacto de estruturas elevadas em concreto seria devastador para a paisagem.
Sou um entusiasta dos trilhos e trens, tanto para passageiros quanto para cargas. A Bahia, um estado do tamanho da França, precisa investir nesse modal para promover integração, reduzir custos e melhorar a mobilidade.
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