Mães atípicas cobram políticas públicas na Câmara

Durante sessão ordinária, na Tribuna Popular, Tatiane Souza reivindicou apoio às crianças com TEA
Durante a 52ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Salvador, realizada na tarde desta segunda-feira (1º), a presidente do Centro Palmares de Estudos e Assessoria por Direitos – Programa Atipicidades e representante das Mães Atípicas, Tatiane Souza da Costa, cobrou políticas públicas efetivas em prol da causa. A sessão foi conduzida pelo presidente da Casa, vereador Carlos Muniz (PSDB).
Segundo Tatiane, que falou na Tribuna Popular, embora existam leis, “infelizmente, na prática, não funcionam” e têm gerado inúmeros problemas para as mães, que já enfrentam rotinas sobrecarregadas. Entre as reivindicações, destacou-se a implementação de Auxiliares de Desenvolvimento Infantil (ADIs) nas escolas municipais para alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“A ausência desses profissionais afeta a educação e o aprendizado de nossas crianças. Estamos pedindo o mínimo para o desenvolvimento dos nossos filhos, para que se tornem adultos funcionais”, afirmou.
Ela também denunciou a falta de medicamentos, desde itens básicos, como dipirona, até os de alto custo, além da ausência de um Plano de Educação Especializado e de alimentação adequada nas escolas.
“Estamos aqui reivindicando e pedindo que os vereadores fiscalizem, pois o atendimento público em todas as esferas está muito ruim. Há falta de sensibilidade dos servidores que estão na linha de frente e, na maioria das vezes, somos invisibilizados”, lamentou.
O presidente Carlos Muniz garantiu apoio às mães. “Podem ter certeza de que aqui vocês receberão o melhor tratamento. Nesta Casa vocês sempre serão bem tratadas, é uma obrigação de todos nós”, declarou.
O vereador Maurício Trindade (PP) reforçou ter apresentado um projeto de indicação ao Executivo municipal para garantir a qualificação anual dos Auxiliares de Desenvolvimento Infantil das escolas públicas e privadas de Salvador.
Denúncia
Também na Tribuna Popular, a líder comunitária e quilombola de Ilha de Maré, Luana do Brasil, mulher trans, fez um relato emocionado ao denunciar ter sido alvo de ofensas verbais proferidas pelo ex-marido e pelo filho da vereadora Eliete Paraguassu (PSOL). As agressões, segundo ela, questionaram sua identidade de gênero e utilizaram termos pejorativos.
Luana afirmou que sua integridade está ameaçada e cobrou posicionamento da parlamentar. O vereador Rodrigo Amaral (PSDB) manifestou solidariedade, seguido por Muniz, que reforçou: “Ninguém pode viver sob ameaça, seja ela qual for. Pode contar comigo e com esta Casa”.
A vereadora Eliete Paraguassu, embora tenha discursado em plenário, optou por não se pronunciar sobre o episódio.


