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Vera Cruz: Uma marca, uma sequela, uma ferida a ser cicatrizada

Um dia após o aniversário do trágico acidente — se é que pode ser chamado apenas de acidente — com a lancha Cavalo Marinho I, ocorrido na Baía de Todos-os-Santos, próximo ao município de Vera Cruz, a dor e a indignação permanecem vivas. A embarcação, que partiu do terminal marítimo de Vera Cruz lotada de passageiros, naufragou, ceifando 19 vidas e deixando inúmeras famílias em sofrimento.

Naquele dia, centenas de pessoas se lançaram ao mar com suas próprias embarcações para tentar salvar quem lutava pela vida. Muitos conseguiram ser resgatados, mas as marcas deixadas foram profundas. Até hoje há sobreviventes que não conseguem mais embarcar em lanchas, e famílias que se recusam a reviver o trauma daquele fatídico momento.

Passados oito anos, o processo judicial segue arrastado. O comandante da lancha, o proprietário da empresa e demais responsáveis foram condenados, mas aguardam em liberdade. E a pergunta que ecoa em Vera Cruz é: onde está a verdadeira responsabilidade? Qual o papel da AGERBA, agência reguladora desse transporte? Onde está a competência da empresa que administra os terminais? Qual a jurisdição e atuação da Capitania dos Portos para prevenir tragédias como essa? Perguntas sem respostas, enquanto a única certeza é a da impunidade.

As cenas daquele dia continuam gravadas na memória coletiva: embarcações arriscando-se em meio à tempestade para salvar vidas; pessoas mergulhando na tentativa desesperada de resgatar desconhecidos; a chegada das lanchas em Salvador com sobreviventes feridos e, entre tantas imagens fortes, a mais dolorosa — a de um socorrista do SAMU, em lágrimas, carregando uma criança em seus braços. Uma cena que até hoje emociona e revolta quem a presenciou.

 Foto: Xando Pereira

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/brasil/lancha-que-fazia-travessia-de-passageiros-vira-na-ba/

Foi um dia em que a imprensa, contra a própria vontade, teve de noticiar uma das maiores tragédias já ocorridas na região. Uma manchete que ninguém queria publicar, mas que expôs ao país a negligência e a fragilidade de um sistema que deveria garantir segurança.

Vera Cruz ainda espera por justiça. Justiça verdadeira, que responsabilize os culpados e dê uma resposta à dor das famílias. Só assim essa ferida, aberta há oito anos, poderá começar a ser curada.

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