Vera Cruz e Itaparica: O povo merece mais respeito do Governo do Estado da Bahia

É preciso refletir sobre a situação dos terminais de Mar Grande, Bom Despacho, Terminal da França e São Joaquim – todos fiscalizados pela Agerba, órgão do Governo do Estado da Bahia. Dois estão localizados em Salvador e dois na Ilha de Itaparica, cada um administrado por empresas privadas sob concessão: em Mar Grande e São Joaquim, a Socican; em Itaparica, a Internacional Travessias.
Apesar de ser público e notório que esses equipamentos apresentam problemas há décadas, as soluções nunca chegam de forma efetiva. A Agerba afirma que já notificou diversas vezes as empresas para que promovam melhorias, mas o que se vê é descaso, degradação e a população sofrendo diariamente.
O terminal de Mar Grande é um exemplo claro: a cabeceira do píer está deteriorada há anos, as escadas continuam em péssimo estado e as amarrações das lanchas expõem ferragens. Em oito anos, apenas reformas superficiais foram feitas pelo Estado, e a Prefeitura de Vera Cruz instalou uma cobertura. No entanto, a estrutura principal segue comprometida. De quem é a responsabilidade: das empresas concessionárias ou do Governo do Estado, que deveria fiscalizar o cumprimento dos contratos?
Já no Terminal de São Joaquim, a fachada moderna contrasta com os problemas diários enfrentados pelos usuários. Passageiros que se deslocam para Itaparica, Morro de São Paulo ou ilhas da região continuam tomando chuva por falta de cobertura no acesso às embarcações. Em Bom Despacho, a situação é ainda pior: piso danificado, goteiras, sujeira e estruturas precárias, sem que nenhuma ação efetiva das empresas seja percebida.
O caso mais grave é no sistema Ferry Boat: há mais de 20 anos as plataformas de embarque para pedestres estão quebradas, obrigando a população a embarcar e desembarcar debaixo de sol e chuva, sem o mínimo de dignidade.
Dentro da Ilha, o problema se estende ao transporte público. O sistema é alternativo e inseguro. Os chamados “táxis” não funcionam com taxímetro, mas em esquema de lotação, disputando passageiros ao longo da BA-001 e colocando vidas em risco. Mais uma vez, a pergunta é inevitável: qual é, afinal, o papel da Agerba?
O site Visão Cidade recebeu inúmeras reclamações da sociedade civil organizada sobre essa situação. Lideranças políticas de Vera Cruz e de toda a Ilha também têm se manifestado em defesa da população. O prefeito e ex-prefeitos, vereadores como Fernando, Niraldo e João do PT, além do deputado estadual Jurailton Santos, foram à Agerba cobrar providências.
No entanto, a indignação da população vai além. Um morador questionou: como pode o Governo do Estado, que há 20 anos promete investimentos para a região, tratar os municípios de Vera Cruz e Itaparica como se fossem filhos de “madrasta”, apesar da fidelidade política que sempre demonstraram?
Hoje, os moradores não pedem favores, mas o cumprimento de direitos básicos: saúde, educação, transporte e saneamento. Enquanto os gestores municipais têm buscado transformar Vera Cruz em referência, o Governo do Estado permanece omisso, deixando a cargo da população o peso de um abandono que já dura décadas.
A palavra agora está com o Governo do Estado da Bahia e sua agência reguladora, a Agerba. O povo da Ilha de Itaparica não suporta mais tanto descaso.
Visão Cidade


