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Regulação: A palavra que na prática, muitas vezes não encontra sentido na saúde pública

Há muito tempo, um problema sério e constrangedor vem se arrastando desde a implantação do sistema de regulação hospitalar pelo Governo do Estado da Bahia. Quem precisa desse serviço — pacientes, familiares e amigos — relata experiências dolorosas. O cenário é conhecido: pessoas internadas em UPAs ou hospitais aguardando transferência para unidades com maior especialidade. E a resposta que se repete, dia após dia, é sempre a mesma: “não há leito disponível”.

O drama se estende por 10, 15, 20, até 30 dias de espera. Imagine o que significa, para um paciente em estado grave, aguardar por uma vaga que nunca chega. É angustiante para os familiares, e em muitos casos, só resta recorrer à Justiça para obter a transferência. Alguns conseguem; outros, infelizmente, recebem a decisão judicial tarde demais — quando o paciente já faleceu. Há relatos de que, quando há pedido de liminar, o sistema de regulação “congela” com o nome do paciente até a decisão judicial, sem qualquer avanço no processo. Para muitos, isso não é apenas inaceitável: é desumano.

A situação se agrava quando o que está em jogo é a realização de exames de média ou alta complexidade. A espera, nesses casos, pode ultrapassar um ano. Muitos pedidos acabam vencendo, e o paciente, sem alternativas, precisa recorrer à ajuda de familiares e amigos para pagar exames em clínicas particulares — exames que muitas vezes são decisivos para o diagnóstico e início do tratamento.

O Estado, que deveria garantir atendimento integral, parece fechar os olhos para a realidade. A demanda é enorme, as dificuldades ainda maiores. Em muitos municípios do interior, há carência até mesmo de pediatras; encontrar um especialista é ainda mais difícil. Nessas condições, os municípios mais distantes acabam dependendo da regulação para encaminhar pacientes à capital ou a cidades maiores — e isso, quando conseguem.

A população questiona: se o sistema de regulação foi criado para agilizar o acesso, e se foram implantadas policlínicas para reforçar a rede, por que não funciona? A resposta, até hoje, não veio. O que se vê, com frequência, é o desfecho doloroso de famílias que perdem entes queridos por falta de uma vaga ou de um exame.

A palavra está com as autoridades competentes. A urgência está nas mãos de quem sofre.

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