ItaparicaNotíciasOpiniãoVera Cruz

Ponte Salvador–Itaparica: Desapropriação é mais um ‘capítulo da novela’

A cada dia surge um novo capítulo dessa verdadeira novela que já dura 20 anos. Uma trama interminável que nunca sai do papel: roteiros, reuniões, audiências públicas e mais reuniões — mas nada de concreto para a população ver. Agora, o enredo ganhou mais um episódio: a desapropriação de uma área em Salvador para a construção da tão prometida Ponte Salvador–Itaparica.

O detalhe curioso? Ninguém sabe ao certo onde fica essa área. Será na Barra, em Itapuã, em Lauro de Freitas, no Subúrbio Ferroviário, em Pirajá, em Castelo Branco ou nas Cajazeiras? Essa é a pergunta que ecoa entre os cidadãos, pois o decreto é vago e deixa muitas dúvidas no ar.

Além disso, há notícias de que um dos investidores — o consórcio chinês envolvido no projeto — pretende realizar obras paralelas para acelerar o processo. Mas todos sabem que, no fundo, o objetivo principal é o lucro. Quanto mais rápido a ponte estiver em operação, mais cedo começam os dividendos — e, considerando o contrato de concessão por 35 anos, não serão valores pequenos.

É inegável que a ponte é importante para o Estado da Bahia. No entanto, é preciso estar atento: apesar de desembocar na Ilha de Itaparica, ela não está sendo construída para beneficiar a ilha. É urgente que os dois municípios que compõem a Ilha de Itaparica recebam mais atenção. Saneamento básico, transporte, educação, saúde e outros serviços essenciais ainda estão muito aquém do necessário, mesmo com os esforços das gestões locais.

Sem um planejamento adequado, a Ilha corre o risco de se transformar apenas em um “bairro” de Salvador — e isso seria desastroso para seus cerca de 80 mil habitantes.

Muitos moradores comentam que essa novela está sendo mal escrita: não há definição, não há enredo sólido e nem mesmo os coadjuvantes parecem compreender o que realmente pode acontecer.

Trecho do decreto
O governo da Bahia autorizou a desapropriação de uma área de 1.790,760 m² em Salvador para implantação dos acessos viários da ponte. O decreto, assinado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), permite que a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) adotem medidas administrativas e judiciais, incluindo indenização aos proprietários.
O local exato não foi divulgado, mas já foi identificado e mapeado pela Superintendência de Infraestrutura de Transportes da Bahia (SIT), que elaborou o estudo técnico e o projeto. A obra é promessa antiga dos governos do PT desde Jaques Wagner, passando por Rui Costa, mas nunca saiu do papel.

Conclusão
Quando veremos, de fato, a construção desse vetor tão importante para a Bahia? Quando autores, atores e coadjuvantes dessa longa novela darão um desfecho à história? Estariam os investidores aguardando o resultado das eleições de 2026 para decidir?
E, por fim, a grande pergunta que inquieta a população da Ilha de Itaparica: essa ponte será um “mal necessário” ou apenas um “mal” — e, nesse caso, totalmente desnecessário?

Visão Cidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *