Pagamos por eleger os representantes errados?

A verdade é que poucos têm coragem de dizer isso diretamente ao cidadão, ao eleitor — aquele que deposita seu voto com confiança na escolha de um representante, seja para o município, o estado ou a nação. Em um país com um número expressivo de eleitores, as decisões eleitorais, infelizmente, ainda se baseiam, em muitos casos, em critérios extremamente pessoais, como:
a) “O que ele fez por mim? O que me deu ou vai me dar?” — O interesse individual se sobrepõe ao coletivo, que praticamente desaparece;
b) “Ele é da minha família” — O voto familiar, baseado apenas em laços pessoais;
c) “Coitado, está precisando de um emprego” — A pena e a caridade mal colocada na urna;
d) “Fulano me pediu pra votar” — A terceirização da escolha, sem nenhum critério racional.
O voto é livre, sim. Cada um vota como quiser. Mas o preço dessa liberdade mal utilizada pode ser alto — e quem paga é toda a coletividade. Muitas vezes, o que menos se considera é a competência do vereador, deputado ou senador para representar, de fato, os interesses da população.
Chega a ser absurdo ver o comportamento de alguns vereadores subservientes, que, em nome de agradar o prefeito, ignoram completamente os interesses do povo. Tornam-se verdadeiras “lagartixas” políticas, sempre balançando a cabeça em concordância, mesmo diante de absurdos.
Essa postura contribui para o caos que vemos hoje em muitos municípios, estados e até no país. Não sabemos se isso é fruto de submissão cega, ignorância, falta de preparo ou simplesmente desinteresse pelo real valor de suas funções.
É justamente por causa dessas escolhas pessoais e inconsequentes que a população sofre durante todo um mandato. Elege-se vereadores, deputados e senadores que aprovam tudo sem sequer ler, apenas para agradar ao Executivo ou retribuir algum benefício pessoal recebido.
Em outras palavras: não veem, não ouvem e não falam nada.
Pense nisso quando for votar em 2025. Conheça bem o seu candidato, pesquise sua trajetória, entenda suas propostas, avalie sua postura ética. O voto é seu — e é também seu dever usá-lo com consciência.
Não se submeta a pressões, favores ou promessas vazias. Encontre sua verdadeira identidade eleitoral. Faça valer seu voto, para que ele se torne um instrumento real de transformação na sua vida e na de toda a sociedade.
Somente por meio de escolhas conscientes poderemos construir um município, um estado e uma nação mais fortes — com representantes que governem para todos, e não para poucos.
Visão Cidade


