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O bairro do Comércio: Uma degradação anunciada

Ao caminhar pelas ruas do bairro do Comércio, em Salvador, é impossível não sentir o peso da decadência de um dos maiores centros comerciais e econômicos que a Bahia já teve. Outrora pulsante, o bairro abrigava as principais instituições financeiras do estado, grandes lojas de móveis, confecções e calçados, além da tradicional rua de artigos esportivos, conhecida em todo o Brasil.

Com pontos icônicos como o imponente Elevador Lacerda, o Mercado Modelo, a antiga sede da Polícia Federal, a Companhia Docas da Bahia, a Marinha e a Junta Comercial, o Comércio era um símbolo de modernidade, movimento e desenvolvimento. Na famosa Praça das Mãozinhas, manifestações culturais e eventos populares faziam parte do cotidiano, enquanto a “Feira do Rolo”, mesmo informal, movimentava uma parte importante da economia local.

O bairro também era ponto de conexão com toda a cidade, através do Terminal da França, de onde partiam ônibus para diversas regiões de Salvador e até mesmo da Região Metropolitana. Os estacionamentos verticais, antes disputados, são hoje quase inúteis diante do abandono que tomou conta da região.

A degradação, segundo muitos, começou no final da década de 1990, quando boa parte dos prédios foi tombada pelo IPHAN. A partir daí, sem manutenção, fiscalização ou qualquer plano de revitalização, o Comércio mergulhou no abandono. Lojas foram fechadas, agências bancárias transferidas para outros bairros, e o bairro foi se esvaziando.

O último golpe veio com a transferência da sede do Ministério do Trabalho para a Avenida Paralela, deixando para trás mais um prédio imponente e sem destino definido. Enquanto isso, a Prefeitura de Salvador tenta, dentro das suas limitações, fazer sua parte, mas os principais imóveis continuam sob responsabilidade do patrimônio artístico e cultural do Estado, que, infelizmente, não oferece soluções eficazes para esses espaços históricos.

O resultado é trágico: desabamentos, incêndios, riscos constantes à população e uma vizinhança cada vez mais prejudicada. A Ladeira da Montanha, ligação fundamental entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa, está interditada há meses por falta de atenção dos órgãos competentes.

É urgente que os responsáveis — sejam eles municipais, estaduais ou federais — tomem uma atitude concreta e efetiva. Caso contrário, em pouco tempo, tudo o que restará do histórico bairro do Comércio serão apenas ruínas e memórias de um passado glorioso.

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