Baixa dos Sapateiros: Abandono total de um marco comercial de Salvador


Durante as décadas de 1980 e 1990, e ainda nos primeiros anos dos anos 2000, a Baixa dos Sapateiros viveu o auge do seu movimento comercial. Indo do Aquidabã até a Barroquinha, era considerada uma das maiores referências de comércio popular de Salvador e de toda a Bahia. Com a chegada dos grandes shoppings e o crescimento dos comércios de bairro, a região não conseguiu acompanhar a evolução do setor, transformando-se em um verdadeiro cemitério comercial, com a maioria das lojas fechadas definitivamente. O cenário atual causa tristeza e indignação ao povo baiano, que assiste ao abandono de um local que foi símbolo de prosperidade.
É importante lembrar que, nesse trecho entre o Aquidabã e a Barroquinha, existiam três cinemas, diversas instituições financeiras e lojas dos mais variados segmentos: moda masculina, calçados, móveis, eletrodomésticos, tecidos e artigos diversos. Além disso, havia o acesso às tradicionais lojas de couro do Taboão, outro ponto icônico do comércio soteropolitano. Com o passar do tempo, tudo isso foi se perdendo. As instituições financeiras foram deixando a região, à medida que os comerciantes iam fechando suas portas por falta de movimento. A clientela, sem opções modernas ou atrativas, migrou para os shoppings e para os novos centros comerciais de bairros, que cresceram de forma acelerada e organizada.
Não há dúvidas de que a Baixa dos Sapateiros precisa de um plano de revitalização a longo prazo. A Associação Comercial, junto com os governos municipal, estadual e federal, precisa elaborar projetos sérios e viáveis para a reestruturação do comércio local. Vale lembrar que nessa região chegou a ser construído um shopping center, hoje totalmente desativado, que já abrigou lojas, bancos e órgãos do governo estadual. Também foi implantado um centro de comércio popular (camelódromo), igualmente abandonado.
A grande pergunta que fica é: como se deixou um centro comercial tão importante chegar a esse nível de decadência? E mais: o que está faltando para reativar e recuperar a Baixa dos Sapateiros e a Barroquinha?
Para tentar entender melhor essa situação, a equipe do site Visão Cidade conversou com comerciantes locais. A insatisfação é unânime. Muitos afirmam que, se nada for feito, outras lojas também fecharão. Entre as propostas discutidas, há quem defenda a transformação da Baixa dos Sapateiros em um calçadão, sem tráfego de veículos, estimulando a circulação de pedestres. Outros sugerem a especialização da região em um polo de autopeças, o que poderia atrair fluxo e investimentos. São alternativas que merecem ser estudadas com seriedade pelas autoridades.
Há também quem acredite que o caminho seja transformar os antigos comércios em prestadoras de serviços, como forma de adaptar o espaço às novas demandas do mercado. Contudo, todas essas ideias ainda estão no campo das hipóteses. O que os comerciantes pedem é que algo seja feito com urgência, antes que a Baixa dos Sapateiros se transforme, de fato, em um “cemitério comercial a céu aberto”, como muitos já definem.
Visão Cidade


