André Reis fala sobre a cultura em Vera Cruz

André Reis, secretário de Economia Criativa, Cultura e Turismo do município de Vera Cruz, destacou os avanços e os desafios enfrentados nas três áreas ao longo dos últimos oito anos. Em sua fala, o secretário ressaltou as ações já realizadas e os projetos em andamento da atual gestão, que visam fortalecer o crescimento e o desenvolvimento do município.
No campo da cultura, Vera Cruz tem buscado diariamente consolidar sua identidade e valorizar seus artistas e tradições. Já no turismo, o objetivo é ocupar o espaço que lhe é de direito, explorando de forma sustentável o grande potencial que a cidade possui. Localizada na Baía de Todos-os-Santos, em frente à capital Salvador, Vera Cruz se destaca por sua riqueza cultural e vocação natural para o turismo.
Quem é André Reis
Graduado em Turismo na Faculdades Integradas Olga Mettig (2001) e Bacharel em Direito pela Faculdade de Artes, Ciências e Tecnologias FACET (2011), com MBA em Gestão do Direito Público pela ESEB -Escola Superior de Estatística da Bahia (2012) e pós graduado em Economia Criativa pela Universidade UNYLEIA (2024). E recentemente fez formação na China sobre turismo, cultura, desenvolvimento econômico e combate à pobreza pelo Ministério de Economia da China ( 2023) .Possui experiência na área de Gestão e liderança, com ênfase em gerenciamento de equipamentos culturais e turísticos com cursos no ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios Históricos) com o curso de Preservação de Monumentos Históricos (moveis, imóveis e integrados).Foi professor das disciplinas Direito ambiental e diagnostico socio ambiental através do Centro Avançado de Pós Graduação, Pesquisa e Extensão CAPPEX da FACCEBA e professor de ecoturismo do curso de pós graduação da Faculdades Integradas da Bahia -FIB. Trabalha com Gestão Pública desde 1998 com passagens pela Secretaria de Cultura e Turismo do Estado da Bahia com a comercialização do destino BAHIA em 15 países, trabalhou na Fundação Cultural do Estado onde assumiu gerenciamento na área de museus e dinamização cultural e no Instituto do Patrimonio Cultural da Bahia na Gerência do Pelourinho, Centro Histórico em Salvador. Foi Secretario nas cidades de: Maragogipe, na cidade de Serrinha, dirigindo o órgão oficial de turismo (EVENTUR); Secretário de Meio Ambiente, Turismo, Esporte e Cultura no município de Vera Cruz na Ilha de Itaparica; Secretario do município de Turismo de Itacaré; Secretário de Cultura e Turismo de Cachoeira no Recôncavo Baiano e Secretário de Turismo e Cultura do município de Itaparica. Foi Chefe de Gabinete do Instituto do Patrimonio Artístico e Cultural da Bahia -IPAC e Diretor do Centro de Culturas Populares e Identitárias, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Foi Secretario de Governo e Turismo da Prefeitura Municipal de Vera Cruz, na ilha de Itaparica-Ba onde atualmente assume a Secretaria de Economia Criativa , Cultura e Turismo.
Veja abaixo a entrevista com o secretário sobre a cultura de Vera Cruz
Visão Cidade: Em sua visão a longo prazo, o que poderá ser feito para o resgate da cultura de cada localidade, conversando com os mais antigos?
A Memória deste paraíso encontra-se nos mais antigos, sobretudo a importância da história oral e a transmissão para os mais jovens para a preservação e manutenção de todo acervo material e imaterial.
Existe alguma prioridade estratégica da Secretaria de Cultura de Vera Cruz para os próximos anos?
Resposta: Sim. A pasta, sob a gestão de Igor Pinho, foi transformada em Secretaria de Cultura Criativa e Turismo, evidenciando a importância de construir uma política pública empreendedora, mostrando o quanto a cultura deste lugar é rica e pode ser estimulada através do incentivo, apoio e fomento.
Visão Cidade: Como a Secretaria de Cultura pretende promover a inclusão e a diversidade cultural em suas ações?
Resposta: Já iniciamos esse processo de inclusão. Uma das primeiras ações foi o inventário cultural do município, com o objetivo de gerar indicadores; de buscar informações e fazer as escutas para ter conteúdo claro sobre o que existe no município. Além disso, criamos o Observatório da Economia Criativa (OBEC) em parceria com o Village Itaparica, com a proposta de analisar dados e estudos que orientem nossas políticas públicas.
Visão Cidade: Quais são os principais programas e projetos que a Secretaria está desenvolvendo atualmente?
Resposta: Estamos aplicando a PNAB – Política Nacional Aldir Blanc – e implementando o “CPF da Cultura”, que corresponde ao Conselho, ao Plano e ao Fundo de Cultura. Essa estrutura foi recentemente aprovada e servirá como base para nortear as diretrizes da cultura local e da cultura empreendedora, conectada à economia criativa. Vale destacar o papel do Gestor, neste caso, o Prefeito IGOR PINHO em atender as necessidades dos fazedores da cultura e assim estamos criando um novo calendário que será encaminhado pelo prefeito para a Câmara de Vereadores na inclusão de 04 festivais na cidade ao longo do ano, para movimentar a cadeia da cultura e do turismo, envolvendo a economia criativa.
Visão Cidade: Como a Secretaria de Cultura está apoiando os artistas locais?
Como a Secretaria pretende descentralizar as ações culturais, levando-as para todas as regiões, como foi feito no São João a Vera, que ocorreu também em outras localidades?
Como o orçamento da Secretaria é distribuído entre as diferentes áreas culturais?
Resposta: Atualmente, boa parte dos recursos é destinada ao fomento cultural, com foco especial nos artistas locais, principalmente na área da música. Criamos um sistema de credenciamento artístico para facilitar o acesso dos artistas locais às políticas públicas, promovendo inclusão e transparência e ampliando o atendimento para as mais diversas localidades do município.
Visão Cidade: A Secretaria tem buscado parcerias com a iniciativa privada e outras esferas de governo para financiar projetos culturais?
Resposta: Sim. O diálogo com o setor privado e com outras esferas do poder público tem sido constante. Hoje, por exemplo, temos o Village Itaparica como um importante apoiador das ações culturais do município. Também mantemos diálogo com o governo estadual para viabilizar oficinas, cursos e agendas culturais em Vera Cruz. Recentemente estivemos no Ministério da Cultura tratando sobre pautas importantes para a cultura que será em breve apresentada para toda a sociedade.
Visão Cidade: Existem ações da Secretaria para a preservação do patrimônio histórico e cultural de Vera Cruz?
Resposta: Com a recente aprovação do Sistema Municipal de Cultura (junho), o município pretende, por meio do Conselho Municipal de Cultura, criar uma Câmara de Patrimônio, visando instituir políticas de tombamento e registro de bens materiais e imateriais.
A chegada da ponte também abre oportunidades para incentivar, direta ou indiretamente, a restauração e requalificação de bens culturais importantes — como igrejas históricas (Nosso Senhor da Vera Cruz, Santo Antônio de Velásquez, Nossa Senhora da Conceição), engenhos, fornos de cal, entre outros monumentos — além de implementar políticas de salvaguarda do patrimônio imaterial. Como já foi reforçado pelo ex-prefeito Marcus Vinicius e o atual Igor Pinho, que a ponte precisa trazer benefícios para a cidade e a população e acreditamos que o resgate a memória, a partir do seu patrimônio seja ele, material ou imaterial será fundamental para a cultura e o turismo.
Visão Cidade: Existem ações da Secretaria para a revitalização de espaços culturais e equipamentos públicos em localidades fora de Mar Grande?
Resposta: Sim. Recentemente iniciamos o processo de licitação para a requalificação do Complexo Cultural de Vera Cruz, localizado na antiga biblioteca da Ilhota. Também estamos implantando o Centro de Artesanato e de Referência da Baiana de Acarajé, além de um novo centro gastronômico. Para o novo PPPA existe também a possibilidade de um Memorial da Cidade e de Maria Felipa, além do cadastro no Ministério da Cultural do CEU – espeço do governo federal para os municípios para atender as linguagens artísticas e a economia criativa.
Visão Cidade: Como a Secretaria está trabalhando para ampliar o acesso da população à cultura?
Existe algum canal para que a comunidade participe ativamente da definição das políticas culturais?
Resposta: Sim, o principal canal será o Conselho Municipal de Cultura que, em breve será implementado. Além disso, realizamos escutas com os grupos culturais locais para aperfeiçoar e ampliar os editais já existentes no município.
Visão Cidade: Quais são os principais desafios que a Secretaria enfrenta para implementar suas políticas culturais?
Resposta: O principal desafio é o orçamento. O prefeito tem se esforçado para ampliar a arrecadação municipal e, assim, fortalecer as políticas culturais, mas essa é uma dificuldade enfrentada por quase todos os mais de 5.000 municípios do Brasil.
A PEC 383, que propõe a vinculação orçamentária obrigatória para a cultura, busca mudar essa realidade. Ela prevê que:
A União aplique, anualmente, ao menos 1% da Receita Corrente Líquida (RCL) em fomento à cultura;
Estados, o Distrito Federal e os municípios apliquem, anualmente, ao menos 1,5% da RCL.
Atualmente, a destinação de recursos para a cultura depende da vontade política de cada gestor, sem vinculação constitucional obrigatória.
Visão Cidade: Como a Secretaria avalia o impacto de suas ações na vida da população?
Resposta: Avaliamos através de:
Indicadores sociais e econômicos monitorados pelo OBEC (Observatório da Economia Criativa);
Geração de emprego e renda com eventos, produções culturais e atividades turísticas;
Número de artistas e empreendedores criativos beneficiados por editais, oficinas e capacitações;
Aumento do fluxo turístico e do consumo local em períodos festivos ou após campanhas de divulgação;
Crescimento da formalização de negócios culturais e turísticos (via MEI ou associações), com apoio do Banco do Nordeste;
Avaliação participativa com a comunidade, por meio de escutas públicas, fóruns e conselhos setoriais;
Pesquisas de satisfação com moradores, visitantes e artistas após os eventos;
Relatos das comunidades sobre autoestima, identidade cultural e pertencimento;
Monitoramento contínuo de projetos e relatórios de impacto;
Alinhamento das ações ao Plano Plurianual (PPA) e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), reforçando o compromisso com resultados duradouros.
Acreditamos que a cultura gera impactos profundos e subjetivos: fortalece o sentimento de pertencimento, reduz a vulnerabilidade social e cria pontes entre as gerações. Cada real investido retorna à comunidade em forma de movimentação econômica, fortalecimento social e valorização do território.
Visão Cidade: Qual é a maior conquista da sua gestão até o momento?
Resposta: A criação da política de editais e do credenciamento artístico, além da aprovação recente do novo marco legal do Sistema Municipal de Cultura na Câmara. Além da entrega em parceria com as organizações culturais do município de equipamentos culturais como o Memorial do Mar, em Mar grande com a Promar; o Memoria da Música, em Jeribatuba com a Filarmônica Lyra Santamarense e o Memorial do Pescador, Em Cacha Pregos com a Colônia Z10.
Visão Cidade


