Presidente da Câmara de Vereadores de Salvador fala sobre o ocorrido no último dia 22 de maio

O presidente da Câmara de Vereadores de Salvador, Carlos Muniz, se manifestou sobre o episódio ocorrido no dia 22 de maio de 2025, quando servidores públicos municipais, organizados por sindicatos, invadiram as dependências da Câmara. A ação tumultuada colocou os vereadores em uma situação delicada, dificultou a atuação da Casa Militar e impediu o acesso da imprensa ao interior do prédio. Em entrevista ao portal Visão Cidade, o presidente comentou os desdobramentos do caso.
Visão Cidade:
Como o senhor avaliou a situação da última quinta-feira, 22 de maio?
Presidente Carlos Muniz:
Na realidade, sabemos que aquele ato não foi protagonizado por professores ou representantes sindicais em sua essência, mas sim por baderneiros. Não é dessa forma que se reivindicam direitos. Tenho certeza de que uma categoria legítima não busca melhorias com atitudes violentas e desrespeitosas como as que vimos.
Visão Cidade:
A Câmara de Vereadores sempre foi receptiva às demandas da população. Como o senhor se sentiu, e como os vereadores reagiram diante daquela situação?
Presidente Carlos Muniz:
Senti-me traído. Sempre atendi a todos os sindicalistas que me procuraram, tentei, dentro do possível, intermediar um diálogo entre o prefeito e as categorias para chegar a um acordo. Mas chegou um momento em que isso não foi mais viável. Quando o projeto foi enviado à Câmara, ele não beneficiava apenas uma categoria, mas todos os servidores. Votamos de acordo com a legalidade e com o que acreditamos ser o melhor para todos os funcionários públicos do município.
Visão Cidade:
Mesmo após a aprovação do projeto, os servidores continuam em paralisação e anunciaram nova assembleia para amanhã. Como a Câmara pretende lidar com novos protestos?
Presidente Carlos Muniz:
A Câmara não precisa “reagir” a protestos. Cumprimos nosso papel institucional, votamos o projeto com responsabilidade. Todos os trabalhadores têm o direito de reivindicar melhorias — isso é legítimo. O que não se pode admitir são atos de invasão, agressões ou depredação, alegando estar em protesto. A manifestação deve ocorrer de forma pacífica, dentro da legalidade e do respeito ao próximo.
Visão Cidade:
Pelo tom das suas palavras, nota-se um sentimento de decepção. O senhor mencionou até a sensação de traição. O que espera daqui pra frente com relação aos sindicatos envolvidos?
Presidente Carlos Muniz:
Espero que os responsáveis pelos atos de vandalismo sejam identificados e punidos conforme determina a lei. Todos aqueles que cometeram excessos precisarão responder pelos seus atos. Reivindicar é um direito, mas cometer crimes é inaceitável. A justiça precisa agir para que esse tipo de conduta não se repita.
Visão Cidade:
Estamos em 2025, e no próximo ano teremos eleições municipais. O senhor acredita que esses acontecimentos podem ser usados politicamente nas campanhas de 2026?
Presidente Carlos Muniz:
Com certeza, há sempre o risco de se politizar esse tipo de episódio. Mas, pessoalmente, evito tratar de política eleitoral nesse momento. Ainda estamos em 2025, e há muitos problemas reais a serem resolvidos para a população. Ficar falando de eleição o tempo todo é desviar o foco do que realmente importa. O povo nos elege para resolver problemas — e são muitos, principalmente nas áreas de saúde, educação e transporte público. Estamos diante, inclusive, de uma possível greve do transporte coletivo, o que pode causar um grande transtorno para a população de Salvador. Precisamos focar nesses temas e buscar soluções concretas.
Espero que a comissão criada para tratar dessa crise atue com celeridade e que em breve tenhamos uma solução equilibrada e definitiva para o bem da cidade.
Visão Cidade


