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Ponte Salvador-Itaparica: Uma grande dúvida no ar

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“Não tem jeito!” — a frase, popularizada por um jogador do Esporte Clube Bahia, ganhou outro significado na boca do povo baiano. Agora, ela resume a frustração com a tão falada Ponte Salvador-Itaparica, cuja construção parece mais uma lenda urbana do que um projeto concreto.

O vai-e-vem do governador Jerônimo Rodrigues à China, acompanhado do presidente da República, para tratar de assuntos comerciais, só aumentou a descrença popular. Cada viagem é acompanhada de promessas e mais cobranças, mas os avanços reais são imperceptíveis. O governador retorna cheio de pedidos: mais segurança, mais recursos e mais paciência dos baianos.

Com isso, surgiram novos bordões que refletem bem o cenário atual. De um lado, o ceticismo: “Eu não acredito mais nessa ponte”. Do outro, o otimismo forçado dos aliados: “Eu acredito na construção da ponte”. Mas o que há, de fato, de concreto até agora? Apenas novas demandas. Veja quais são:

1ª Demanda – A rocha mole

Durante uma sondagem técnica realizada na Baía de Todos-os-Santos entre o segundo semestre de 2024 e o início de 2025, o consórcio chinês responsável pela obra identificou um obstáculo inesperado: uma rocha extremamente maleável no fundo do mar, que pode aumentar significativamente o custo da construção.

Segundo o governador Jerônimo Rodrigues, os chineses solicitaram garantias de que, caso os custos aumentem por conta dessa dificuldade geológica, o contrato possa ser reajustado. “Eles perguntaram: se for uma rocha muito mole e eu tiver que gastar mais, vai ser corrigido? Claro que sim”, afirmou em entrevista ao portal A Tarde.

2ª Demanda – Vistos de trabalho

Outro entrave apontado pelos chineses é a morosidade na liberação de vistos para engenheiros que trabalharão na obra. A burocracia brasileira para autorizar a entrada desses profissionais tem sido um problema. Eles pedem mais agilidade do governo federal para permitir que a equipe técnica da China possa atuar na Bahia. “A fila está muito grande”, disse Jerônimo.

3ª Demanda – Mais dinheiro

A terceira exigência do consórcio chinês é financeira: mais investimento. Apesar de o Banco do Nordeste já ter aportado R$ 3 bilhões, o grupo solicita mais R$ 1,5 bilhão para dar início à construção da ponte.

Jerônimo afirma já ter articulado uma reunião entre o BNB e os chineses. Além disso, buscou apoio no Novo Banco de Desenvolvimento (o Banco dos BRICS), sediado em Xangai e presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff. “Perguntei se ela tinha como receber essas empresas e analisar se há condições de aportar mais R$ 1,5 bilhão. Ela disse que vai analisar o pedido”, revelou o governador.

Para muitos baianos, tudo isso soa como mais um capítulo de uma novela chinesa com elenco baiano — uma produção de roteiro duvidoso, com muitas reviravoltas, mas sem sinal de final feliz, como tantas outras que já passaram pelas telinhas.

Visão Cidade

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