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Os dois lados da moeda na política

Passados apenas cinco meses das eleições municipais realizadas em todo o Brasil, já se ouve em muitos municípios um crescente sentimento de insatisfação — tanto por parte dos eleitores quanto de alguns políticos. As razões, embora ainda não totalmente claras, apontam para um cenário de expectativas frustradas, cobranças prematuras e, em muitos casos, falta de comunicação entre os poderes e a população.

No Executivo, muitas gestões ainda estão em fase de transição e adaptação. É natural que ajustes levem tempo, principalmente após mudanças políticas significativas. Mesmo assim, começam a surgir críticas, algumas justas, outras precipitadas. No Legislativo, por outro lado, há representantes com dois, três ou mais mandatos. Com essa experiência, é esperado que tenham mais clareza sobre o funcionamento do sistema e, portanto, enfrentem cobranças mais contundentes. No entanto, essa cobrança precisa ser acompanhada de transparência: o povo precisa entender o que está sendo feito, por que está sendo feito, e qual o prazo para que os resultados apareçam.

Em diversos cantos do país, surgem críticas públicas vindas de vereadores, candidatos derrotados ou lideranças locais. Muitas dessas críticas são legítimas, outras, movidas por interesses pessoais ou partidários. O que chama atenção é que, com menos de seis meses de gestão, há uma exaustão precoce no discurso político — o que revela não só uma impaciência generalizada, mas também uma carência de comunicação e entendimento mútuo.

A política, como se diz, tem dois lados. Para alguns, só há satisfação quando interesses próprios ou partidários são atendidos. Para outros, a insatisfação nasce da lentidão em atender demandas coletivas. O problema é que, entre o A e o Z do alfabeto partidário, a população segue muitas vezes desinformada, sem saber exatamente o que está acontecendo nos bastidores do poder. E foi ela quem escolheu — democraticamente — seus representantes no Executivo e no Legislativo. Por isso, merece ser ouvida, respeitada e informada com clareza.

Diante disso, o eleitor precisa estar atento. As críticas, insatisfações e denúncias devem ser analisadas com maturidade e discernimento. É preciso compreender que nem toda crítica é destrutiva, mas também não se pode ignorar que há aqueles que praticam o chamado “fogo amigo” — atacando o próprio grupo político do qual fazem ou fizeram parte, muitas vezes movidos por frustrações ou disputas internas.

A política não pode ser conduzida com ambiguidade. Ou se está de um lado, ou de outro. O famoso “ficar em cima do muro” não contribui para o desenvolvimento dos municípios nem para a construção de uma democracia sólida.

O eleitor brasileiro precisa, mais do que nunca, amadurecer seu papel. É hora de aprender com os erros do passado e conquistar sua verdadeira identidade política. Só assim poderemos esperar por mudanças reais e duradouras.

Visão Cidade

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