As mudanças de cor e o povo invisível

O povo brasileiro costuma usar uma analogia curiosa para falar de política: a comparação com um réptil conhecido por mudar de cor conforme o ambiente — o camaleão. Essa metáfora é aplicada especialmente àqueles políticos de carteirinha, como diz a sabedoria popular, que adaptam seu discurso e sua postura de acordo com as conveniências do momento. Embora não se possa generalizar, é intrigante observar essas trocas de “cor”: do azul para o vermelho, do vermelho para o azul; do marrom para o verde, e do verde de volta para o marrom. Tudo depende do cenário político e das alianças do instante.
Para alguns, essa prática é tratada como algo natural — quase uma habilidade de sobrevivência no meio político. No entanto, para aqueles que sempre trilharam o caminho da coerência e da fidelidade aos seus princípios, essa mudança constante é vista como puro oportunismo.
Mais preocupante ainda é quando essas mudanças não são feitas em favor da população, mas apenas em benefício próprio. O povo, que muitas vezes se sente representado por esses líderes, se vê abandonado quando esses representantes mudam de direção, traem seus compromissos e apagam a esperança daqueles que os elegeram. É como se a cor do povo fosse transformada em invisibilidade.
Apesar disso, ainda existem aqueles fiéis a seus projetos, às suas alianças e, acima de tudo, ao povo. Infelizmente, os casos de infidelidade política se multiplicam. Recentemente, até mesmo instituições criadas para promover o bem público têm sido alvo de suspeitas, podendo até justificar a criação de uma CPI. Em vez de defender a bandeira que os elegeu, alguns escolhem o caminho da blindagem e da conveniência, como se pudessem apagar a identidade popular — como se pudessem tornar invisível a cor do povo.
É hora de o povo brasileiro despertar e reencontrar sua verdadeira identidade. Todos esses cargos políticos são passageiros. A soberania, essa sim, pertence ao povo, que tem o poder de colocar e de tirar. Esse é o verdadeiro sentido da democracia: o poder do voto e da livre escolha.
Visão Cidade


