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Veja quais são os cinco piores problemas do Ferryboat na Bahia

Apenas uma passagem pelo Terminal Marítimo de São Joaquim na tarde desta quinta-feira (4) foi suficiente para notar a insatisfação nos rostos dos passageiros que haviam acabado de desembarcar em Salvador. Para além do cansaço da viagem, havia também ali um misto de revolta e impotência por conta dos desafios enfrentados durante a travessia no ferryboat. As queixas – que já são antigas – foram elencadas pela reportagem com base nos relatos dos viajantes e especialistas, que aceitaram o desafio de dizer quais são os cinco piores problemas do modal sem poupar detalhes.

No topo do ranking, a falta de higiene nos ferries foi campeã de reclamações. A diarista Cleide Santos, de 47 anos, estava bordo do Maria Bethânia e ficou impressionada com a sujeira na embarcação. “Nas escadas tinha fedor de urina e baratas. Meu cabelo é enorme, mas eu não viajo no Ferry com ele solto porque eu tenho medo de que as baratas subam. É preciso fazer com urgência uma limpeza e dedetização”, apontou.

Acostumado a usar o modal pelo menos duas vezes no mês, o autônomo Nilzon Santos, 53 anos, havia acabado de retornar de Itaparica no Ferry Zumbi dos Palmares, uma das embarcações mais recentes – adquirida em 2014. Segundo ele, mesmo sendo um dos transportes marítimos mais novos, os problemas relacionados à higiene são tão piores quanto os mais antigos. “A situação está precária. A instalação está suja e malcuidada, os banheiros estão podres e sem conservação alguma”, pontuou.

Em segundo lugar, a lotação dos ferries em épocas festivas também foi motivo da queixa de passageiros. Adriele Silva, 23 anos, contou que não houve lugar para ela e sua família – com crianças – sentarem-se quando estavam viajando no Ferry Maria Bethânia rumo a Ilha de Itaparica, no dia 30 de dezembro. “Estava muito cheio. Tinha gente em pé e outras no chão. Simplesmente horrível. As crianças estavam agoniadas e não tinha sequer ventilação”, relatou.

Outro problema muito antigo são as longas filas para carros e pedestre no período de festividades e feriados. Na tarde desta quinta-feira, ainda por consequência do fluxo causado pelas festas de fim de ano, as pessoas que retornavam para Salvador de carro estavam enfrentando filas enormes, que segundo relatos estavam chegando em Mar Grande. Já os pedestres reclamaram do percurso na ida, especialmente no dia 30 de dezembro.

A autônoma Michele de Jesus, 32 anos, que viajou com o marido Luís Nascimento e o filho Michel no último sábado rumo a Ilha da Coroa, classificou como absurdo o tempo que precisou aguardar para conseguir fazer a travessia para Itaparica. “Estava tudo uma negação. Chegamos aqui 15h30 e saímos 20h. A fila dava no viaduto, o fluxo de gente e carro era gigante”, pontuou.

Para Zilton Netto, diretor-geral da Diretoria de Ações de Defesa do Consumidor (Codecon), pasta vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), outro grave problema encontrado no ferryboat administrado pela Internacional Travessias Salvador (ITS) é a falta de acessibilidade. “Há ausência de acessibilidade no embarque e no desembarque dos passageiros e esse foi um dos pontos elencados pela equipe nessas ações de fiscalização que vinham sendo ocorridas no ano passado”, disse.

Por sua vez, o aposentado Marcos Mota, 57 anos, vê a falta de fiscalização dos órgãos competentes como o pior entrave do modal. Com experiência de 33 anos na área de manutenção de máquinas, ele defende que os problemas encontrados no ferry são reflexos de descaso. “A fiscalização não tem que estar só na bilheteria, ela tem que estar antes e trabalhar na raiz. É preciso colocar um técnico da área de manutenção na Agerba [órgão que fiscaliza a operação do ferryboat] para ele verificar se as manutenções estão sendo feitas nos ferryboats e ter um pessoal para auditar os estoques, afinal, os ferryboats são máquinas e máquinas quebram, mas uma máquina com manutenção boa só quebra em casos extremos. Com o nosso ferry, sempre que chega no pico da alta estação, tem embarcação precisando de manutenção. Não pode”, completou.

*Com orientação da subeditora Fernanda Varela

Correio

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