Quanto valerá no futuro as cinzas de Lula?

Calma. Não desejo que Lula morra tão cedo. Muito menos que, uma vez cremado, suas cinzas sejam leiloadas.
Valho-lhe de um truque barato para capturar sua atenção e tentar levá-lo a refletir sobre outro assunto: a que ponto o culto à celebridade idiotiza pessoas mundo a fora.
O escritor norte-americano Truman Capote (1924-1984) é considerado o pioneiro no gênero do jornalismo literário – do ou “romance de não-ficção”.
Assinou, entre outros, dois livros clássicos: “A Sangue Frio” e “Bonequinha de Luxo”, que acabaram rendendo bons filmes.
No final de outubro de 2014, foram descobertos mais de 30 contos e poemas inéditos escritos por ele. Se leiloados, e se eu fosse rico, teria me sentido tentado a comprá-los.
Poderia não ser um bom investimento, mas me tornaria dono de algo com reconhecido valor histórico.
Os contos e poemas foram reunidos em livro e publicados – tanto melhor para a Humanidade.
De Capote, o que acabou leiloado foram suas cinzas, arrematadas em Los Angeles por um anônimo que pagou cerca de R$ 141.700,00. O preço inicial era de R$ 7.500,00.
Não creio que as cinzas de Capote possam ser diferentes das cinzas de ninguém. O que pode levar alguém a se interessar por elas?
A atração por algo mórbido? Não creio. Por algo para chamar de exclusivamente seu? Bingo! Aí está. Ah, a vaidade, o pecado favorito do diabo!
Nada mais idiota, embora capaz de mover o mundo.
Em novembro de 2011, um dente cariado de John Lennon foi comprado em leilão por R$ 54 mil, desembolsados pelo dentista canadense Michael Zuk, em Londres.
Havia sido presenteado pelo músico à empregada doméstica que o serviu nos anos 60. Estava em péssimas condições.
O que prova que um músico genial, que uma vez se achou mais popular do que Jesus Cristo, pode também ter-se comportado pelo menos uma vez como um completo idiota.
Quanto às cinzas de Lula: ele não precisará morrer para que elas sejam disputadas pelos muitos equivocados que ainda o admiram, e pelos muitos espertos que gostariam de herdar um dia o que restar de bom dos seus despojos.
Desejo-lhe longa vida. E que lhe façam justiça.(Blog do Noblat)


