Polêmicas, terapias que ativam áreas cerebrais podem curar a depressão


Descargas elétricas e estimulação magnética podem ajudar os pacientes que sofrem de depressão, mas os tratamentos que ativam as áreas cerebrais ainda causam polêmica, principalmente o que ficou conhecido como ‘eletrochoque’, em alusão à forma de tortura usada durante o período da repressão militar. A técnica, chamada de eletroconvulsoterapia, é indicada para casos em que antidepressivos e psicoterapia não deram resultados.
Um aparelho emite descargas elétricas que atuam em todo o cérebro para diminuir o sintoma das doenças. Criado nos anos 30, o procedimento era feito sem anestesia nos primeiros anos. Consciente, o paciente entrava em convulsão e seu corpo se debatia durante a sessão. As cenas eram chocantes, o que motivou o preconceito.
Psiquiatra da Unifesp, Marcos Pacheco Ferraz diz que a técnica avançou e que o doente agora é anestesiado. Usada apenas em casos graves de depressão, a técnica é eficaz para 90% dos pacientes. Ele compara o procedimento ao choque dado no peito para diminuir arritmia cardíaca. “Não é tortura. A eletroconvulsoterapia deve ser olhada de forma significativa”, aponta.
Outra técnica é a estimulação magnética, que foi criada nos anos 80. O aparelho libera ondas que ativam uma área específica do cérebro. Recomendada para casos leves e moderados da doença, ela dá resultado para metade dos pacientes. “A gente não deve ter preconceito com elas. Quando bem indicado, os benefícios superam e muito os riscos”, afirma André Brunoni, psiquiatra do Hospital das Clínicas.
(G1)

