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Na véspera do julgamento do mensalão, Dirceu diz que a oposição perdeu o discurso

Na véspera do julgamento dos embargos infringentes pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no qual pede a anulação da sentença que o condenou a dez anos e dez meses de prisão, o ex-ministro José Dirceu disse hoje que a oposição perdeu o discurso e que o governo petista não é “refém” da coalizão política. Dirceu excluiu o PMDB, principal aliado político do PT, da coalizão de “centro-esquerda” que, em sua opinião, deve orientar a política nacional, e citou apenas PSB, PCdoB e PDT.
– A direita brasileira está sem discurso neste momento. Está com um discurso do passado. Não consegue pensar o Brasil como ele é agora. Tem, sim, complexo de vira-latas. Falta a ela esse sentimento nacional – disse Dirceu, afirmando que a coalizão em torno do PSDB não vê a importância do país na política regional e que também não tem “sentimento popular”:
– É avessa ao povo, é elitista. O governo (do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso) não fez a revolução social que nos fizemos nos últimos 11 anos.
Em entrevista ao presidente da Fundação Perseu Abramo, economista Márcio Pochmann, Dirceu defendeu a reforma política e disse que o “grito das ruas” pede pelo plebiscito, ideia aposentada pela presidente Dilma Rousseff depois da má repercussão. Para o ex-ministro, apesar de avanços do governo, a população pede novos direitos sociais. Segundo ele, “felizmente a juventude brasileira tem novos sonhos, novos direitos sociais”.
– A democracia representativa está em crise de representatividade e de legitimidade. É um sistema político dominado pelo poder econômico – afirmou Dirceu ao defender a reforma política, com financiamento público exclusivo de campanha e o voto em lista: – Precisamos de uma reforma politica, eleitoral e institucional. É preciso discutir o poder do Senado.
A entrevista está sendo transmitida ao vivo pelo site da fundação petista. Em quase uma hora de transmissão, nem Pochmann nem Dirceu tocaram no assunto do julgamento dos recursos do julgamento do mensalão, no qual o ex-ministro é o principal condenado pelo STF.

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