Donos da educação movimentam mais de R$ 23 bilhões no País


Hoje, os maiores grupos da área no País são responsáveis pela educação de pelo menos 2 milhões de alunos, e têm valor de mercado estimado em R$ 23 bilhões (vide tabela abaixo). Kroton, Anhanguera, Tijucussu, Abril Educação, Cruzeiro do Sul, Estácio, COC, entre outras, abocanham uma fatia significativa dos alunos de todas as faixas do ensino no Brasil.
Esse valor só pôde ser levantado devido à obrigatoriedade de divulgação dos dados das empresas de capital aberto na Bolsa de Valores. Há ainda uma grande gama que não pôde ser aferida e que vem a engrossar esses dados.
O professor defende que essas instituições seguem seu objetivo, que é o lucro.
— Para elas terem lucro, elas têm de oferecer um serviço que atenda às expectativas de seus clientes. No caso da Kroton e da Anhanguera, estamos falando de um milhão de clientes. E ninguém tem essa quantidade de clientes se o produto que oferecesse não estivesse de acordo com o desejado pelo seu cliente.
Além dos sistemas de ensino, as editoras de livros didáticos e de apostilas começaram a ganhar papel de destaque neste mercado, apoiando o crescimento das empresas educacionais. Junto a isso, também caminham as tecnologias educacionais: quadros-negros digitais, tablets e computadores voltados especificamente para as salas de aula se tornaram uma grande fonte de renda.
Estudantes
Para a UNE (União Nacional dos Estudantes), o atual cenário confere às universidades privadas do País um caráter mercantil. Em entrevista ao R7, Vic Barros, presidente da entidade, avalia que a fusão de empresas estrangeiras com instituições particulares não é sustentada por objetivos educacionais.
— A gente tem hoje quase sete milhões de universitários no País e mais de um milhão deles se encontram em universidades de capital estrangeiro. Isso para nós é muito ruim porque desvirtua uma das principais missões da educação, que é construir uma universidade relacionada a um projeto de nação, fortalecer a soberania do País.
Segundo Vic, uma das lutas da UNE é pela aprovação de um marco regulatório do ensino superior que barre a entrada de capital estrangeiro na composição acionária das instituições particulares.
No final do ano passado, o MEC (Ministério da Educação) deu início a um debate para a criação do Insaes (Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação do Ensino Superior). Ainda em discussão no Congresso Nacional, o Projeto de Lei visa à criação de um instituto para avaliar e regular o ensino superior. O novo instituto poderá autorizar e renovar o reconhecimento de cursos de graduação e sequenciais. O Insaes vai poder decretar intervenção em instituições de educação superior. Como sanção aos infratores da lei, o instituto poderá desativar cursos, reduzir o número de vagas, suspender a autonomia ou descredenciar instituições, dar advertência ou multas de R$ 5 mil a R$ 500 mil.
Para Vic, as fusões e aquisições de grupos privados de educação no País são avaliadas apenas do ponto de vista econômico.
— O mesmo órgão que regulamenta a fusão de cervejaria está regulamentando a fusão de universidades. Avalia do ponto de vista mercadológico, e a gente acha fundamental que seja avaliada também do ponto de vista educacional.
A fusão entre os grupos Kroton e Anhanguera ainda está sob análise do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O órgão explica que, quando operações acontecem no setor educacional, o MEC pode se manifestar durante a análise de operações por solicitação do próprio Cade ou quando achar necessário. Cabe ao ministério ainda exercer sua competência como órgão que regula e estabelecer políticas públicas educacionais.
Para a líder estudantil, o Insaes vai poder regulamentar e avaliar fusões e compras do ponto de vista educacional. Ainda assim, ela entende que é necessária a criação de um marco regulatório que controle, por exemplo, a qualidade do ensino oferecido e as mensalidades praticadas.

