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Estudo identifica droga capaz de reduzir a mortalidade por insuficiência cardíaca

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A coenzima Q10, que ocorre naturalmente no organismo de uma pessoa, mas que também pode ser encontrada em pílulas e alguns alimentos, aumenta a sobrevida de pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca, doença que acontece quando o coração bombeia o sangue de maneira ineficaz. Foi o que concluiu um novo estudo coordenado por pesquisadores da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. Segundo os autores, essa é a primeira vez em dez anos que uma droga se mostra capaz de reduzir a mortalidade entre pacientes com a condição. Os resultados da pesquisa foram divulgados durante o Congresso de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia, que acontece até esta terça-feira em Portugal.
A coenzima Q10 é essencial para o funcionamento das mitocôndrias, responsáveis por fornecer energia às células, e é a única substância antioxidante produzida pelo próprio corpo – ou seja, que evita a morte celular e protege o organismo contra o envelhecimento. Os níveis dessa enzima no músculo cardíaco diminuem em pessoas com insuficiência cardíaca, e quanto maior a gravidade da doença, menor a quantidade da substância. Para piorar, a estatina, remédio que reduz os níveis de colesterol e que é frequentemente usado para tratar pessoas com essa doença, bloqueia a síntese da coenzima Q10, diminuindo ainda mais a quantidade da enzima no organismo desses pacientes.
Pesquisas feitas anteriormente já apontaram para os benefícios da coenzima Q10 em melhorar os sintomas e a qualidade de vida em pessoas com insuficiência cardíaca. Porém, nenhum estudo estatisticamente relevante havia sido feito para avaliar os efeitos da droga na sobrevida desses indivíduos.
Esse novo trabalho, produzido em colaboração com centros médicos de nove países, foi feito com 420 pacientes que sofriam de insuficiência cardíaca. Metade desses indivíduos passou a tomar, sem abrir mão do tratamento convencional contra a doença, cápsulas de coenzima Q10, e o restante dos participantes, doses de placebo. Nenhum paciente sabia qual substância estava ingerindo, e todos os participantes foram acompanhados ao longo de dois anos.
Efeito protetor — Segundo os resultados, a coenzima Q10 praticamente reduziu pela metade o risco de um evento cardiovascular maior – ou seja, hospitalização devido ao agravamento da insuficiência cardíaca; transplante cardíaco de emergência; implante de algum dispositivo mecânico para ajudar na circulação sanguínea; ou morte por problema cardiovascular. Em dois anos, 14% dos participantes que fizeram uso da droga apresentaram algum desses problemas. Essa prevalência, porém, foi de 25% entre o grupo do placebo.
“A coenzima Q10 é o primeiro medicamento para reduzir a mortalidade em pacientes com insuficiência cardíaca desde os IECAs [inibidores da enzima de conversão da angiotensina] e os betabloqueadores, desenvolvidos há mais de uma década”, diz Svend Aage Mortensen, coordenador do estudo. “Outros medicamentos contra insuficiência cardíaca, em vez de melhorar, acabam bloqueando processos do funcionamento celular e causando efeitos adversos. Usar a coenzima Q10, que é uma substância natural e segura, como suplemento corrige essa deficiência.”
Segundo Mortensen, a quantidade de coenzima Q10 em alimentos como carne vermelha, peixes e verduras não é suficiente para impactar a saúde de pessoas com insuficiência cardíaca. Além disso, apesar de já haver suplementos vitamínicos disponíveis dessa enzima, uma pessoa deve procurar um médico antes de passar a consumir as cápsulas.
(Veja)

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