Do pescoço para baixo, tudo é canela!

Um mal estar se abateu subitamente sobre a classe política brasileira. Idêntica à sensação que se abate sobre qualquer ser humano quando, de repente, é pego “com as calças nas mãos”.
Ao afirmar, categoricamente, que os partidos políticos brasileiros “são de brincadeira”, o Ministro do STF Joaquim Barbosa mais uma vez fez história e marca seu lugar na galeria dos ilustres brasileiros que não tem papas na língua.
A cultura coronelística brasileira, tão bem demonstrada em romances como Gabriela, Cravo e Canela, impulsiona a história política de nosso país. Crescemos cercados de figuras históricas que, embora eleitas sob siglas partidárias, receberam votos em virtude de suas histórias pessoais.
Seus feitos, defeitos e qualidades são os propulsores de suas carreiras politicas. A razão dos brasileiros irem às urnas a cada dois anos não é a motivação ideológica partidária: Ou seja, definitivamente, não votamos em currículos partidários. O brasileiro vota em pessoas.
A afirmar com todas as cores que nossos partidos para nada servem e que os componentes destes bibelôs os tem apenas para subirem uma exigência legal e que, na verdade, muitos nem sabem quais são as doutrinas e ideologias das cores que dizem defender, Barbosa expos uma ferida pútrida que serve de ponto de manipulação para que “Coronéis” do mesmo naipe de Ramiro Bastos, impeçam a renovação de elenco em seus desgastados currais eleitorais.
Assim, os partidos cumprem seu papel nefasto de criar barreira que impedem a tão temida renovação.
Onde será que estão os trabalhadores dos partidos que se dizem trabalhistas, ou os Cristãos dos partidos que assim se intitulam? Comunistas dos partidos que levantam esta bandeira andam de carro importando e vestem Armani!
O que Barbosa disse, que é verdade irrefutável, é que os dirigentes e partidários dos tais Partidos Políticos não seguem seus estatutos, não são fiéis as suas ideologias e não tem interesse algum em fortalecer esta cultura em nosso Brasil. Estas figuras preferem que a população continue a votar em personagens: O pai dos pobres, a Mãe dos desamparados.
Na recente corrida dos desesperados, quando alguém com péssimas intensões, espalhou o boato que o Bolsa Família acabaria – Lamentavelmente, apenas um boato. – a frase de uma mãe de família que estava na fila para sacar o tal beneficio, deixa claro que não há interesse em se fortalecer partidos sérios: “ Disseram que a Dilma iria botar um dinheiro a mais por causa do dia das mães.”.
Fala sério! Um país onde a classe verdadeiramente trabalhadora é expropriada e o fruto do seu trabalho é utilizado para custear políticas eleitoreiras e o culto a personalidade, vai ter interesse em criar partidos políticos onde às ideologias e estatutos sejam respeitados?
Por Jorge Andrade

