Suba pelas paredes!

Até mesmo os especialistas estavam equivocados, pensando que para escalar seria preciso muito músculo e pouco fôlego. Uma dissertação de mestrado defendida no mês passado na Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo prova que a escalada indoor, praticada em paredes lotadas de agarras coloridas, é uma atividade mista. Isto é, o exercício mescla esforço anaeróbico, essencialmente muscular, e aeróbico, aquele que envolve coração e pulmões no consumo de oxigênio. “Como a pessoa sobe uma posição, pára para pensar em como permanecerá no próximo apoio e, em seguida, volta a avançar, o esporte acaba sendo intermitente, daí os dois mecanismos”, justifica o professor de educação de física Rômulo de Moraes Bertuzzi, que avaliou 14 escaladores em ação, entre amadores e atletas. Ele notou, inclusive, que o desafio nas alturas queima calorias.
Aliás, foi justamente para melhorar a coordenação motora e a orientação espacial que um grupo de deficientes visuais aprendeu a escalar. “Eles recebiam informações pela audição e pelo tato e, desse jeito, iam subindo”, conta José Júlio Gavião, professor de esportes adaptados da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. A atividade melhorou a autoconfiança, a independência e a disposição de todos.
Uma escala de 3 a 11, acrescida das letras A, B e C, indica o grau de dificuldade de uma subida. A mais fácil é a 3A e a mais complexa, a 11C. Esse código está em todas as agarras do traçado e orientam a escolha das posições seguintes, sempre visando o topo. O iniciante começa em vias com agarras bem próximas, que permitem apoiar com as duas mãos e os dois pés. Conforme diminui o tamanho das agarras e aumenta a distância entre elas, fica mais complicado para segurar. A inclinação do muro — positiva, 90 graus e negativa — pode aumentar a complexidade.

