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Suba pelas paredes!

Até mesmo os especialistas estavam equivocados, pensando que para escalar seria preciso muito músculo e pouco fôlego. Uma dissertação de mestrado defendida no mês passado na Faculdade de Educação Física da Universidade de São Paulo prova que a escalada indoor, praticada em paredes lotadas de agarras coloridas, é uma atividade mista. Isto é, o exercício mescla esforço anaeróbico, essencialmente muscular, e aeróbico, aquele que envolve coração e pulmões no consumo de oxigênio. “Como a pessoa sobe uma posição, pára para pensar em como permanecerá no próximo apoio e, em seguida, volta a avançar, o esporte acaba sendo intermitente, daí os dois mecanismos”, justifica o professor de educação de física Rômulo de Moraes Bertuzzi, que avaliou 14 escaladores em ação, entre amadores e atletas. Ele notou, inclusive, que o desafio nas alturas queima calorias.

A pesquisa derrubou o mito de que é preciso ser esguio e forte para alcançar o topo. “As medidas do corpo e a força são fatores secundários. A habilidade, esta sim, é determinante”, garante. Quem usa a cabeça para traçar uma rota inteligente, até mesmo quem está acima do peso, chega lá — os quilos a mais só atrapalham em paredes negativas, porque nelas o corpo inteiro fica pendurado pelas mãos (veja à esquerda).
“Não é uma questão de força, e sim de técnica”, concorda o professor de educação física Dimitri Wuo Pereira, que ensina escalada a crianças do ensino fundamental e médio em duas conhecidas escolas paulistanas, a da Vila e o Colégio Magno. No início o aluno aprende a usar os equipamentos de segurança, trabalhar com os pés, posicionar o tronco e segurar nas agarras. Aos poucos cresce o nível de dificuldade das vias, o que requer movimentos mais complexos. “Em termos de exigência da musculatura, a escalada se aproxima da natação”, compara. As pernas, é verdade, não são tão solicitadas, mas os membros superiores e o tronco, em especial, saem fortalecidos. “Desenvolve-se resistência muscular, equilíbrio e coordenação motora.”
Aliás, foi justamente para melhorar a coordenação motora e a orientação espacial que um grupo de deficientes visuais aprendeu a escalar. “Eles recebiam informações pela audição e pelo tato e, desse jeito, iam subindo”, conta José Júlio Gavião, professor de esportes adaptados da Universidade Estadual de Campinas, no interior paulista. A atividade melhorou a autoconfiança, a independência e a disposição de todos.
Não à toa, o interesse pela escalada só cresce. Hoje existem mais de 20 ginásios de indoor espalhados por Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e interior, sem contar os muros em academias de ginástica. A Federação de Montanhismo e Escalada de São Paulo contabiliza 20 mil adeptos, dos quais mil são praticantes assíduos. Da parede para a rocha é um pulo. “A prática indoor desperta o interesse pelas escaladas ao ar livre”, nota Silverio Nery, presidente da Confederação Brasileira de Montanhismo e Escalada. No Brasil há em torno de 30 associações e clubes dedicados à atividade. Talvez seja o caso de você experimentar subir pelas paredes também.
Vários níveis 
Uma escala de 3 a 11, acrescida das letras A, B e C, indica o grau de dificuldade de uma subida. A mais fácil é a 3A e a mais complexa, a 11C. Esse código está em todas as agarras do traçado e orientam a escolha das posições seguintes, sempre visando o topo. O iniciante começa em vias com agarras bem próximas, que permitem apoiar com as duas mãos e os dois pés. Conforme diminui o tamanho das agarras e aumenta a distância entre elas, fica mais complicado para segurar. A inclinação do muro — positiva, 90 graus e negativa — pode aumentar a complexidade.
(Saúde)

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