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‘Quero desentulhar a UTI’, diz médica suspeita de matar paciente

A médica Virginia Helena Soares de Souza, medica chefe da UTI do hospital Evangélico, foi presa pela Polícia Civil

A Polícia Civil do Paraná investiga a suposta participação de profissionais da saúde na morte de pacientes do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba.

Virgínia Helena Soares Souza, a médica responsável pela UTI (Unidade de Terapia Intensiva) da entidade, que está presa desde anteontem, foi indiciada sob suspeita de homicídio qualificado. Ela nega qualquer crime.
Nas investigações, iniciadas há um ano, foram gravadas falas da médica no hospital. “Quero desentulhar a UTI, que está me dando coceira”, disse Virgínia, segundo áudio divulgado pelo “Jornal Nacional”.
Em outro trecho, ela diz: “Infelizmente é nossa missão intermediá-los [os pacientes] do trampolim do além”.
Há indícios, diz a polícia, de que pacientes do SUS (Serviço Único de Saúde) tenham sido mortos como forma de “liberar” vagas na UTI para pacientes que pagariam pelo serviço. A polícia suspeita que aparelhos foram desligados e medicações foram suspensas.

O hospital filantrópico atende pacientes do SUS e privados e é referência na região.
O delegado-geral, Marcus Vinícius Michelotto, disse ontem que serão investigadas todas as mortes ocorridas no hospital nos últimos sete anos.
É o período em que a UTI foi chefiada por Virgínia Helena Soares Souza, presa em caráter temporário sob suspeita de causar a morte de internados.
Todos os funcionários da UTI serão investigados. “Existem indícios de autoria e materialidade [contra a médica], e obviamente ela não fazia isso sozinha”, disse Michelotto.

Se outros funcionários forem identificados, a ação conjunta poderá caracterizar formação de quadrilha, disse.
Inicialmente, havia sido aventada a possibilidade de prática de eutanásia (indução à morte) com o consentimento das famílias. “O que investigamos é a antecipação de óbito. Há indício de materialidade e autoria na prática de crime de homicídio qualificado. Não é eutanásia”, disse.
A pena para o crime de homicídio qualificado (mediante recompensa, por motivo fútil ou por meio cruel, entre outros) varia de 12 a 30 anos.
(Folha)

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