Nas células-tronco, uma esperança para quem tem diabetes

A medicina busca novas formas de tratar o diabetes – doença crônica que acomete 10 milhões de brasileiros. O Hemocentro de Ribeirão Preto desenvolve dois estudos que podem revolucionar o tratamento dos portadores do diabetes tipo 1.
Estas pessoas precisam autoaplicar doses de insulina para sobreviver. As pesquisas – uma com células-tronco e a outra com células mesenquimais – podem, a longo prazo, tornar os pacientes independentes do medicamento.
O estudo com células-tronco hematopoiéticas (que compõem o sangue) foi iniciado em 2004 e envolve 25 pacientes transplantados. Deste total, 21 puderam se manter por até cinco anos sem a insulina. Posteriormente, voltaram a usar medicamento, mas em doses menores do que as originais.
Neste grupo, três permanecem até hoje sem as doses de insulina. De acordo com o coordenador da pesquisa, o endocrinologista Carlos Eduardo Couri, o resultado representa um avanço significativo das novas vertentes para o tratamento.
Já a pesquisa com células mesenquimais é realizada há quatro anos. Elas são encontradas em vários tecidos do corpo humano e podem ser isoladas e multiplicadas em laboratório. A grande vantagem é que estas células possuem propriedades imunomoduladoras, ou seja, conseguem combater ou controlar inflamações em andamento no corpo humano
O estudo conta com a participação de quatro adultos e quatro crianças. Dois dos adultos já tiveram melhora. “Como o diabetes tipo 1 é uma doença inflamatória, que ocasiona a destruição das células produtoras de insulina do pâncreas, as injeções de células mesenquimais poderiam ajudar a controlar essa agressão”, avalia Couri.
Segundo ele, é possível que, no futuro, essas células contribuam para a regeneração do pâncreas, repondo células já destruídas.
Esperança
Os portadores da doença aguardam, ansiosamente, os avanços da medicina. Um deles é o médico veterinário Flávio Azevedo Quinto, que descobriu aos 14 anos depender das doses de insulina para sobreviver.
“Foi após a ceia de Natal. Havia comido muitos doces e comecei a passar mal. Fiquei internado por três dias. Depois veio o diagnóstico de diabetes tipo I”, lembra Quinto, hoje com 34 anos.
Nos últimos 20 anos, a rotina do veterinário é marcada por uma alimentação regrada. Ele não pode comer nenhum tipo de açúcar (nem mesmo o encontrado nas frutas) e também carboidratos (massas, pães e grãos).
Caso contrário, as conse-quências podem ser fatais. “Já tive duas lesões no fundo de olho. Graças a Deus ambas foram contidas e não tive sequelas”, conta Quinto.
Insulina
O veterinário autoplica (por meio de injeções) de duas a três doses diárias de insulina. “Aplico a primeira logo pela manhã. As outras são ao longo do dia. Antes de comer, tenho que medir a taxa de glicose no sangue para poder calcular a dose de carboidrato que posso consumir. Daí aplico uma insulina de rápida absorção (pelo organismo)”, explica.
Para ele, a dependência dos medicamentos é o mais difícil no dia a dia de um diabético. “Era uma criança que deixava de lado um salgado para comer um doce. No início foi muito difícil não poder comer nem um pedaço de bolo. Mas, com o tempo, a gente se acostuma. O pior é depender da insulina. Espero que a medicina encontre logo um tratamento que substitua o medicamento”, finaliza.(J.ATribuna)


