João Henrique pode voltar ao PDT de olho no cargo de governador em 2014

Perto de finalizar o segundo mandato como prefeito da capital baiana, João Henrique, que integra há um ano e sete meses o PP, após afastamento conturbado do PMDB, pode voltar ao partido que o conduziu pela primeira vez, em 2004, à prefeitura de Salvador: o PDT. Nos bastidores políticos essa é uma das teses apontadas para o futuro do alcaide.
Após os comandantes de seu partido, em especial o presidente, deputado federal Mário Negromonte, terem dito que a sigla não vai brigar pela vaga ao Palácio de Ondina, mas sim pelo Senado, apresentando o seu próprio nome para chapa governista, como antecipou essa semana à Tribuna, João Henrique vê, com isso, morrer o seu desejo de tentar viabilizar uma candidatura na majoritária pelo PP.
O fato alimenta ainda mais a expectativa de mudança de partido, já que há algum tempo haveria um distanciamento entre ele e a cúpula pepista.
Agora a novidade está a de que o seu pai, o senador João Durval (PDT), está convencendo-o a voltar ao ninho pedetista. A ida dele não o impede de disputar a sucessão estadual, já que informações chegadas à Tribuna dão conta de que o deputado Marcelo Nilo (PDT), que tem apresentado o desejo de também brigar pelo governo em 2014, abrirá mão da disputa na majoritária em prol de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), no final do próximo ano. Sendo assim, o caminho fica livre para JH.
Especula-se que o prefeito não volte sozinho ao PDT, mas encontre também de retorno o ex-presidente do partido e ex-deputado federal Severiano Alves. A saída de JH foi marcada por desentendimentos com o ex-dirigente que hoje integra o PMDB. A volta ao PDT é uma das possibilidades em relação ao futuro do alcaide. Caso isso aconteça, ele se afastará de vez do grupo aliado ao prefeito eleito ACM Neto (DEM).
Vale lembrar que JH liberou o PTN, do secretário João Carlos Bacelar, para apoiar o democrata, sendo cabo eleitoral de um dos vereadores eleitos pelo partido, o radialista Geraldo Júnior. Nessa conjuntura, valerá para o gestor, que se despede do poder municipal, a construção de sua caminhada rumo a um voo mais alto.
A filiação ao PDT é uma costura feita pelo próprio senador com o presidente nacional do partido, o ex-ministro Carlos Lupi. Em âmbito estadual, João Durval ainda não engoliu as atitudes da direção partidária que entregou a presidência do partido em Feira de Santana ao prefeito Tarcízio Pimenta, que não conseguiu se reeleger. Em resposta, Durval apoiou a eleição de José Ronaldo (DEM) à prefeitura em outubro.
Fontes ligadas ao prefeito e ao senador não confirmam a negociação, mas há quem diga que as chances são grandes, já que JH procura um partido que tenha tempo de televisão.
Além do PDT, as únicas apostas são o DEM ou o PPS. O PTN, apesar de estar disposto a abrigá-lo, não oferece a mesma perspectiva.
Questionado sobre a ida de JH para o PDT, o presidente estadual da sigla, Alexandre Brust, confirmou que tal movimentaçãodepende da executiva nacional. Brust simplificou, negando qualquer tipo de rusga entre o comandante municipal e o PDT.
“O simples fato de ele manifestar interesse pelo retorno é o reconhecimento do arrependimento de ter saído. Ele ficou 12 anos no PDT, tendo um mandato de vereador e dois como deputado estadual. Vai ver por isso gosta tanto do 12”, disse, demonstrando bom humor e se referindo ao número usado pela agremiação.
Mas pontuou que os processos de filiação de políticos detentores de mandato devem ser definidos pelo comando nacional.
(Tribuna)

