Proibida no Barradão e liberada em Pituaçu, bebida nos estádios divide opiniões

O consumo de bebida alcoólica dentro e próximo aos estádios de futebol aumenta as ocorrências de violência a ponto de sua proibição ser necessária? Para a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sim. Em 2008, a entidade proibiu a venda de bebidas que contenham álcool nas arenas do país, durante a realização de jogos. A Fifa, entretanto, torceu o nariz e bateu de frente com o governo — de posição semelhante à da CBF — nas discussões sobre a Lei Geral da Copa, e até hoje muitos torcedores querem o retorno da comercialização na porta e no interior das praças esportivas.
É o caso do torcedor do Bahia, Márcio Santana, que considera a venda de cerveja nesses locais um fator positivo para o entretenimento de alguns. Para o tricolor, a proibição da venda é, simplesmente, ineficaz. “Sou a favor da comercialização, porque quem bebe, vai beber dentro ou fora do estádio. Com a proibição, os torcedores acabam se concentrando fora do estádio e já entram para assistir o jogo bêbados”, analisa. Já a torcedora do Vitória, Mayara Azevedo, acredita que a comercialização de bebidas alcoólicas nas arenas esportivas é um fator preocupante, pois as pessoas acabam bebendo muito e podem procurar confusão.
Barradão e Pituaçu
Os dois principais estádios da capital baiana têm posicionamentos diferentes sobre a medida. Desde a determinação da CBF, há quatro anos, o Barradão, de propriedade do Vitória, não comercializa bebidas alcoólicas. Em contrapartida, o Estádio Metropolitano de Pituaçu, gerenciado pela Sudesb, conseguiu uma liminar na Justiça e voltou a vender cerveja no final de 2011, alegando a queda do lucro nos bares. Sobre o aumento da violência, ambos os clubes acreditam que a comercialização não tem relação direta com as brigas.
No Barradão, a venda de bebidas se restringe ao lado de fora, a cerca de 1 km de distância da entrada, o que acaba complicando o trânsito e o acesso dos torcedores. O caso de Pituaçu não é diferente. Apesar da comercialização de cerveja dentro do estádio, muitos torcedores preferem ficar bebendo do lado de fora, pela compensação financeira (nos bares internos, o preço de uma cerveja chega a ser três vezes maior que na rua). Nesse caso, os tricolores geralmente se concentram no canteiro central da Avenida Paralela, próximo ao Posto 2, congestionando o tráfego nos dois sentidos da via.
Leão pró-álcool
O vice-presidente do Vitória, Carlos Falcão, acredita que a proibição de bebidas alcoólicas é inócua e acaba prejudicando os torcedores e, principalmente, o clube. “Eu entendo que a violência, quando acontece, na maioria das vezes, acontece fora do estádio. Com a proibição, as pessoas acabam deixando de chegar mais cedo no estádio para ficarem bebendo do lado de fora e congestionando o acesso. Além disso, o torcedor acaba bebendo muito mais pelo fato de que não vai poder beber quando estiver assistindo o jogo”, argumentou o dirigente rubro-negro, em entrevista ao Metro1.
Bebida na Copa
Apesar da proibição da CBF, as coisas devem mudar para a Copa do Mundo de 2014. A Fifa, entidade máxima do futebol, aprova a venda de bebidas alcoólicas nas arenas durante o evento esportivo. Em junho deste ano, a presidente Dilma Rousseff derrubou o artigo do Estatuto do Torcedor que proíbe a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas, para as praças que receberão jogos do Mundial.
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, se posicionou a favor da venda e disse que o assunto precisa ser discutido em diversas instâncias. “O objetivo é discutir com representantes dos estados e das capitais o encaminhamento da aplicação da legislação nacional em cada estado e em cada capital”, declarou, em entrevista à Agência Brasil.(Metro1)


