Degelo no Ártico é o maior já registrado

Não é um novo recorde que mereça ser celebrado. Cientistas americanos anunciaram que o degelo no Oceano Ártico é o maior já registrado desde que o monitoramento da região por satélite começou, há mais de 30 anos.
O anúncio foi feito pelo centro de monitoramento de gelo e neve dos Estados Unidos (NSIDC, na sigla em inglês), ligado à Universidade do Colorado.
Segundo as imagens de satélite feitas no dia 26 de agosto, a extensão da cobertura de gelo do Ártico chegou a 4,1 milhões de quilômetros quadrados. Extensão que superou o recorde anterior, registrado em 2007, quando a cobertura encolheu para 4,17 milhões de quilômetros quadrados.
A área congelada do oceano Ártico sempre sofre diminuição durante o verão no hemisfério norte, chegando a um tamanho mínimo e depois se recompondo no inverno. Só que os cientistas afirmam que esse mínimo tem ficado cada vez menor ao longo dos anos e que o degelo tem ocorrido mais rapidamente. Imagens produzidas por satélites mostram que a cobertura de gelo no verão tem ficado 13% menor que o normal a cada década.
No verão de 1979, quando o monitoramento por satélite começou na região, a extensão da cobertura de gelo era de cerca de 8 milhões de quilômetros quadrados.
E o degelo deste ano ainda não chegou ao fim. Segundo o NSIDC, a temporada deste ano ainda vai durar alguns dias. Até lá, os cientistas esperam ver uma redução ainda maior da cobertura de gelo do Ártico.
A marca deste ano foi superada mais cedo do que a do ano de 2007, que registrou o maior degelo em 18 de setembro.
Segundo os cientistas do NSIDC, a causa disso é o aumento das temperaturas causadas pelo aquecimento global. No entanto, o calor, o culpado mais óbvio para o degelo, não é um único responsável imediato pela redução da cobertura.
Dados do centro mostram que entre 2007 e 2011 foram registrados outros degelos extremos. Segundo Meier, essas reduções extremas que estão se tornando cada vez mais regulares estão deixando o gelo mais frágil e fino, mais propenso a derreter, mesmo que a temperatura não seja recorde.
“Isso também cria um ciclo vicioso. Quanto mais gelo derreter, mais o degelo vai se acelerar, já que mais partes escuras do oceano, que absorvem o calor do Sol, vão aparecer, aumentando a temperatura do oceano e derretendo a parte do gelo que fica embaixo d’água. De vez em quando recordes são quebrados, mas no contexto do que aconteceu nos últimos anos, essa parece ser uma indicação de que a cobertura de gelo do Ártico está sofrendo mudanças na sua natureza”, disse Walter Meier.
(Veja)

