Pipas colorem velho Aeroclube

A arte de empinar arraia é milenar, da China antiga, utilizada como estratégia militar para sinalizar a posição de soldados e transmitir mensagens à distância. Embora esta prática, devido ao cerol ser temperado com vidro, tenha se transformado em perigo de eletrocução e de atingir o pescoço dos motoqueiros, em Salvador há local propício para o esporte: área do antigo Aeroclube, onde nos finais semanas, homens e meninos de todas as idades disputam a distância maior que suas pipas coloridas alcancem.
O local já é preparado para esperar os esportistas de arraia, com alguns ambulantes, vendendo água e refrigerante, inclusive, o que não poderia faltar, a venda de arraias que podem ser adquiridas desde 20 centavos em diante, a depender do tamanho e forma, já o carretel da pipa, dependendo do metro, 50 metros custa R$ 6 e o tempero (cola e vidros) possui vários preços, de 50 centavos em diante.
Mas tem quem leve a pipa, comprada no bairro. Dentre estes se encontrava José Almir Santos, açougueiro, 52 anos, natural de Sergipe, mas há mais de 40 anos em Salvador, confessou que nunca teve tempo para soltar arraia quando menino porque trabalhava em roças com o pai. “Mas faço questão de trazer meu filho Mateus, 10 anos, aqui no Aeroclube para ele soltar”, declarou, enquanto o menino se preparava para o esporte, afirmando que diferente do pai: “Eu sou craque neste esporte”.
O Estudante Luís Filho, 11 anos, da 2ª série do Instituto Municipal de Educação Prof. José Arapiraca (Imeja), na Boca do Rio, conta que começou a empinar há cerca de três anos. “Moro aqui perto e estudo naquela escola ali em frente, venho sempre empinar, mas o cerol que é feito com areia, cola e vidro já compro pronto. Acho boa a brincadeira”, sinalizou.
Os perigos de empinar arraia foram apontados por Cleber Alves, 49 anos, pedreiro, que estava acompanhado de um menino vizinho de 10 anos, o qual ensinava a arte de empinar. “Desde pequeno que empino. Naquele tempo não tinha este espaço, a gente empinava no próprio bairro.
É perigoso, mas sabendo controlar, neste espaço, sem colocar em direção à rua onde passam motos. Já ouvi falar em muitos acidentes de motoqueiros que se enforcaram com a linha de cerol, mas comigo nunca aconteceu”, revelou.
Para Cleber que gosta de ensinar a prática a vizinhos do próprio bairro da Boca do Rio, “é bom incentivar no intuito de tirar a ansiedade destes meninos de fazer alguma coisa errada ou se envolver com drogas. Mesmo sendo perigoso, se for feito de forma salutar, não acontece acidentes”, destacou.
Outro que depois de adulto continua com a prática de empinar arraia é o gerente de produção Alexandre Farias Cordeiro, 30 anos. Ele conta que tem cerca de 20 anos que empina arraia e que começou no bairro da Liberdade durante a infância e adolescência.
“Sempre venho aqui todos os finais de semana, é um costume baiano. Aqui tem uma área livre, mas tem época que enche mais. Hoje em dia os meninos nem querem mais saber disto. Compro aqui mesmo a 30 centavos. Na época de infância nem usava tempero na arraia e sei que tem gente que não usa”, afirmou. (Tribuna)

