Motoqueiros se previnem dos acidentes

Aumenta o número de vendas de porta-pipas para motoqueiros, principalmente motoboys, nas diversas casas especializadas. Isto porque a categoria está se precavendo de grave acidente: serem degolados pela linha com cerol das pipas, principalmente na área onde mais se realiza a prática de soltar pipa, na Boca do Rio, no antigo Aeroclube.
A época está propícia para a soltura de pipas, já que a temporada é de muito vento e os motoqueiros não querem fazer parte das estatísticas de acidentes deste gênero como já aconteceu várias vezes na cidade, o que causou a morte do ocupante da moto. Para quem solta pipa o prazer está na observação de sua pipa colorida o mais alto possível, porém o perigo está no fio de cerol .
O assunto é tão sério que há na Câmara um Projeto de Lei do vereador Paulo Câmara (PSDB), que promove uma campanha de distribuição e instalação gratuita de antenas nas motocicletas, contra linhas de pipa de cerol. As antenas serão doadas aos motociclistas se aderirem de forma voluntária.
E em muitas cidades do país há mobilizações, como no Rio de Janeiro que foi sancionada lei que proíbe a comercialização e uso de linhas do tipo “chilena’’ em pipas ou outros objetos. Estas são fabricadas com óxido de alumínio e algodão, são pelo menos quatro vezes mais cortante que o método tradicional de confecção de linhas cortantes, feitas numa mistura de vidro e cola.
A vendedora Simone Silva dos Santos, da loja Moto Preço, disse que a procura para compra das antenas tem aumentado. “Temos dois tipos uma comum e outra com modelo mais refinado e os preços estão entre R$5 e R$19”, informou. Santos disse que tem várias histórias para contar em relação aos compradores da antena, grande parte é formada por motoqueiros que já sofreram acidente.
“Vários apareceram aqui com cicatriz no pescoço, dizendo que foi a linha temperada que quase o degolou. Geralmente são estes que já sofreram acidente que compram a antena. Quem nunca sofreu acidente é mais difícil de comprar”, contou.
Como é o caso do porteiro Adailton Guimarães Souza, que não possui o equipamento e alegou falta de tempo para comprar, embora estivesse exatamente em uma loja de peças de motos fazendo outro serviço no veículo. “Não trabalho com a moto, é só locomoção mesmo. Ainda mais que circulo por lugares que não são perigosos, neste sentido. Não tem pipa mesmo”, afirmou.
Entretanto, para José Ricardo Vasconcelos, representante comercial, que utiliza a moto para o trabalho, que já passou esta experiência da linha de pipa, mas não foi grave porque estava munido da antena. “Circulo muito pelo subúrbio onde o pessoal usa soltar pipa e já passei por isto, mas minha moto tem a antena por isto não aconteceu nada comigo”, contou.
O gerente da Hally Motos, Rogério Augusto Pereira Barreto, disse que muitos clientes já foram cortados por esta linha. “Agora estão comprando direto porque previne acidente. Hoje tenho só duas, por isto vou encomendar mais. As que tenho estão por R$ 20, são mais sofisticadas, mas a gente faz até por R$ 18. Mas há modelos mais baratos”, declarou.(Tribuna)

