EUA voltam a discutir uso de aviões não tripulados com Paquistão

Os Estados Unidos e o Paquistão retomaram nesta semana as discussões sobre o combate ao terrorismo e o uso de aviões não tripulados no país após a retomada da passagem de comboios de forças da Otan em direção ao Afeganistão, autorizada na semana passada após nove meses suspensos.
De acordo com funcionários de ambos governos consultados pela agência de notícias Associated Press, o chefe da inteligência paquistanesa deverá visitar Washington ainda neste mês.
As negociações começaram com um impasse devido à rejeição americana a acabar com o uso de aviões não tripulados da CIA para atacar alvos em tribos dominadas pelo grupo armado Taleban. Islamabad reclamou diversas vezes que as ações ferem a soberania territorial do país.
O Paquistão oferece como alternativa o uso de aeronaves F-16 do país asiático para continuar os bombardeios, proposta rejeitada pelos americanos em diversas ocasiões.
As principais razões apresentadas por Washington são os erros operacionais ocorridos em ações similares em 2010, em que as tropas paquistanesas atingiram o alvo errado e facilitaram a fuga dos terroristas.
No entanto, Islamabad pretende permitir a entrada de tropas americanas para contribuir com apoio tecnológico para o combate ao terrorismo. Os militares paquistaneses fariam as operações terrestres e aéreas na região fronteiriça com o Afeganistão.
CONFLITO
As relações diplomáticas entre os dois países pioraram após a operação que causou a morte do terrorista Osama bin Laden, em maio de 2011.
Islamabad rompeu os contatos depois da morte de 24 soldados paquistaneses durante uma ação de grupos vinculados à Al Qaeda a um comboio de suprimentos da Otan, em setembro do ano passado. No dia 3, a rota foi retomada após um pedido de desculpas oficial da secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Durante os sete meses de fechamento, os custos de logística das forças da Otan aumentaram em US$ 100 milhões por mês pelo uso de rotas alternativas na Ásia Central para chegar ao Afeganistão.
Após o anúncio da abertura, o país asiático voltou a receber US$ 1,3 bilhão de ajuda financeira para o combate ao terrorismo na região. A verba, destinada a reembolsar o Paquistão pelo custo de operações, foi retida devido às tensões entre os dois países, e pelo bloqueio de Islamabad das rotas de abastecimento.
(Folha)

