Pré-candidatos armam suas estratégias de olho nas eleições 2012

A uma semana do início das convenções municipais, quando os partidos escolherão os candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores, a disputa em Salvador – o maior colégio eleitoral da Bahia – ainda caminha em processo de definição de pré-candidaturas e costuras de alianças.
Neste cenário de incertezas, em que a cidade se vê imersa em uma onda de greves que tem provocado desgastes aos chefes dos poderes estadual e municipal, é possível constatar, contudo, dois fatos: a divisão de pré-candidatos na base do governo e na oposição indica uma ameaça real à pretensão do PT de chegar pela primeira vez ao Palácio Thomé de Souza e, assim, ampliar a hegemonia do partido no Estado, governado pelo petista Jaques Wagner. E, por ser disputada, a eleição na capital será em dois turnos.
Até o momento, cinco postulantes confirmaram os nomes na corrida sucessória. A entrada em cena, na última semana, do radialista Mário Kertész (PMDB), ex-prefeito que chega competitivo pela sua história, mudou o cenário que vinha se delineando na sucessão do prefeito João Henrique Carneiro (PP).
Até então polarizada entre os deputados federais Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto (DEM), a presença do peemedebista obrigará os dois (sobretudo Neto) a reavaliarem as estratégias de aliança.
É que tanto Neto quanto Kertész vão disputar o apoio do deputado federal tucano Antônio Imbassahy, que não pode levar sua candidatura adiante devido a um acordo das cúpulas nacionais do PSDB e DEM visando apoiar Neto. Mesmo ficando em quarto lugar na eleição de 2008, Imbassahy tem eleitorado fiel em Salvador, onde foi prefeito em dois mandatos.
Os outros nomes colocados para a prefeitura são o da deputada federal Alice Portugal, do PCdoB, e do professor Hamilton Assis, do PSOL. Estão em dúvida se entram na corrida os deputados federais Maurício Trindade (PR), Marcos Medrado (PDT), Bispo Marinho (PRB), o vice-prefeito Edvaldo Brito (PTB) e a senadora Lídice da Mata (PSB).
Lídice já governou Salvador, mas, aliada de Wagner, vem resistindo às pressões do presidente nacional do PSB, o governador de Pernambuco Eduardo Campos. Se entrar, outro problema para Pelegrino, que já sai sem o PCdoB.
João Leão, que é do mesmo partido do prefeito, o PP, patina com a pré-candidatura. Precisa do apoio de João Henrique, mas este exige, em troca, a defesa de sua gestão.
Cada um com a sua estratégia:
Pelegrino defende o alinhamento – No quinto mandato de deputado federal, o ex-secretário de Justiça na administração Wagner vai disputar a Prefeitura de Salvador pela quarta vez. O petista tem evitado fazer uma oposição crítica ao governo de João Henrique, de quem espera receber o apoio caso chegue ao segundo turno. Mas propõe um novo modelo de gestão na prefeitura. Defende que para a cidade é melhor um prefeito alinhado com os governos estadual e federal.
ACM Neto tenta oxigenar o DEM – Neto vai disputar pela segunda vez a Prefeitura de Salvador. Na eleição de 2008, ficou em terceiro lugar, mas se aliou a João Henrique no segundo turno e integrou o seu governo. Para chegar à final da disputa este ano, buscou o apoio do PSDB, que abriu mão de lançar candidatura própria. Principal liderança do carlismo na Bahia, conta com esta eleição para reposicionar o DEM e concretizar o sonho de chegar ao governo.
Kertész aposta na experiência – Prefeito da capital baiana duas vezes – primeiro como “biônico” (1979-1981), nomeado no regime militar pelo governador Antonio Carlos Magalhães, e depois eleito (1986) –, o radialista tentará o terceiro mandato pelo PMDB. O seu partido é aliado de Dilma Rousseff, mas na Bahia faz oposição ao PT. Ancorado na imagem de tribuno popular e na experiência de ex-gestor da capital, tem como alvo preferencial os candidatos do governo e do Democratas.
Alice buscará apoio na base sindical – Duas vezes deputada estadual e cumprindo o terceiro mandato federal, a deputada Alice Portugal é a aposta do PCdoB para chegar à prefeitura, numa decisão que colocará o seu partido em confronto com o PT, até então o aliado histórico. Para tanto, Alice tentará capitalizar apoios na base sindical e nos segmentos sociais onde ela e o PCdoB têm atuação. Terá, porém, de contornar o pouco tempo na TV e a limitação de recursos.
Assis é a alternativa à esquerda – O professor Hamilton Assis é o nome com que o PSOL tentará convencer o eleitor de que existe alternativa à esquerda tradicional, representada pelo PT e o PCdoB, e ao sistema capitalista, personificado pelo DEM/PSDB. O partido não tem cargo eletivo na Bahia, mas vem ganhando a simpatia desde 2006, quando Hilton Coelho disputou a Prefeitura de Salvador com o famoso jingle “Hilton 50”. Desde então, o PSOL disputou todas as eleições.
*Veja as datas das convenções partidárias:
As convenções serão de 10 a 30 de junho
1 – O PDT abre o período de convenções no dia 10, domingo, para escolher
os candidatos
2 – O PP reúne os delegados no dia 11 para escolher vereadores e oficializar o nome de João Leão
3 – No dia 17, o PCdoB referenda o nome da deputada Alice Portugal como candidata a prefeita
4 – DEM e PSDB realizam convenção no dia 18 para definir vereadores e a chapa liderada por ACM Neto
5 – PT e PMDB escolheram o dia 30 para as convenções que confirmarão Nelson Pelegrino e Mário Kertész candidatos a prefeito, respectivamente

