Na Câmara, Ideli tenta se desligar do caso das lanchas

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, afirmou à Comissão de Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados que a controversa compra de 28 lanchas pela pasta ocorreu sob a responsabilidade de seu antecessor, Altemir Gregolin. Ideli foi convocada para para explicar o pagamento pela compra de lanchas na época em que ela estava no comando da pasta. A gestão de Ideli deu o aval para o pagamento de 31 milhões de reais por 28 lanchas inadequadas para o serviço prestado pelo órgão. A empresa que vendeu os produtos, a Intech Boating, havia doado 150.000 reais para o PT catarinense em 2010. No mesmo ano, Ideli foi candidata ao governo de Santa Catarina e teve a maior parte da campanha custeada pelo diretório do partido.
A audiência estava inicialmente marcada para a semana que vem, mas foi antecipada. A mudança não ocorreu por acaso: nesta terça-feira, a Comissão de Ética da Presidência arquivou a investigação aberta para apurar a responsabilidade de Ideli no caso das lanchas. Para aproveitar o momento favorável (e não dar espaço para o surgimento de novos escândalos), a base aliada agendou o depoimento já para esta quarta. A oposição protestou contra o adiantamento: “É a estratégia do abafa: pega de surpresa a oposição e liquida o assunto”, criticou Mendonça Filho (DEM-PE).
Em sua fala inicial, Ideli se eximiu de qualquer responsabilidade: “Todo o processo de licitações, pregão, tudo isso já tinha sido executado pelo ministério na gestão que me antecedeu e o cronograma de pagamento já estava definido”, afirmou. Ela disse ainda se lembrar de apenas um encontro com o presidente da Intech, em um evento do ministério. Admitiu que, ao assumir o ministério, foi informada do processo de compra. E alegou que tinha o dever de fazer o pagamento.
A convocação da ministra foi aprovada em 11 de abril. Graças à antipatia de parte da base aliada por Ideli, o requerimento recebeu o aval de oito dos 15 deputados presentes à reunião.
(Veja)

