CPMI aprova quebra de sigilo da Delta

A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do Cachoeira aprovou, nesta quinta-feira, a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresa Delta Construções. Entretanto, ao contrário do que aconteceu na última semana, quando a Justiça Federal aprovou a quebra do sigilo da empresa em todo o país, a comissão aprovou apenas o acesso às filiais em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Distrito Federal.
Além da empresa, a CPI mista também aprovou a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao bicheiro Carlos Cachoeira. Entre os atingidos pela medida estão o ex-diretor da Delta Construções, Cláudio Abreu; e Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, ex-sargento da Aeronáutica preso pela operação Monte Carlo da Polícia Federal, sob acusação de ser informante e braço direito de Cachoeira.
De acordo com informações da Agência Senado, ao todo foram aprovados 36 requerimentos de quebra de sigilo e 51 para a realização de depoimentos. Além de Abreu e Dadá, Geovani Pereira da Silva, apontado como responsável pela movimentação de todo o dinheiro da organização chefiada por Cachoeira, também terá as informações bancárias, telefônicas e fiscais colocadas à disposição da CPI.
Protestos
Entre as pessoas jurídicas que terão seus dados revelados estão a Brava Construções e a Alberto e Pantoja. Segundo a Polícia Federal, são empresas de fachada, criadas para receber dinheiro sujo da Delta, que têm o mesmo endereço: um prédio numa cidade-satélite de Brasília onde funciona uma oficina mecânica.
A quebra de sigilo de apenas algumas filiais da Delta Construções provocou uma série de protestos de outros parlamentares, que defendiam as inclusão de filiais no sudeste e sul do país, bem como a convocação do ex-sócio da empresa, Fernando Cavendish.
Os senadores Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) e Pedro Taques (PDT-MT) foram dois dos que reclamaram. Para eles, há indícios mais do que suficientes da atuação da Delta nacional em negócios criminosos chefiados por Carlos Cachoeira.
Adiamento
Após a polêmica votação, o relator propôs o adiamento da votação dos demais requerimentos para a próxima reunião administrativa, marcada para 5 de junho, sob novos protestos de Randolfe Rodrigues, que defendeu mais convocações. “Ficou patente a relação do governador de Goiás e de Sérgio Cabral com negócios de Cachoeira. Esta investigação é selecionada, sem ir ao fundo desta CPI. É um mau começo para este colegiado”.
Segundo Pedro Taques, existem notícias de que a Delta já estaria dilapidando seu patrimônio, por isso o assunto não poderia ser deixado para 5 de junho. Já para o deputado Mauricio Quintella (PR-AL), o adiamento não quer dizer necessariamente que os demais requerimentos não serão votados.
A CPI volta a se reunir na próxima terça-feira, quando será ouvido Carlinhos Cachoeira. Em seguida, serão ouvidos Gleyb Ferreira da Cuz, Lenine Araújo de Souza, José Olympio de Queiroga Neto e Idalberto Matias de Araújo.(Band)


