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Falta de planejamento?

 

Em janeiro de 2010 a Prefeitura de Salvador lançou um ambicioso pacote de projetos, embalado num evento para vips, num dos espaços mais elegantes da cidade. Entre as soluções mirabolantes do Salvador Capital Mundial, duas grandes avenidas, à direita e à esquerda da Paralela. Passados dois anos e mais alguns meses, talvez os projetos sejam a única ação concluída. Não há licenças ambientais nem dinheiro para iniciar as obras. Até ai, nada de novo. Surpreendente mesmo foi a descoberta da pólvora pelo nosso prefeito, que semanas após admitir que não fazia ideia da complexidade dos problemas da cidade, saiu com essa no re-anúncio dos projetos de mobilidade urbana: “Chegou a hora de planejar Salvador!” Merece o Nobel…
A aversão ao planejamento urbano, justiça se lhe faça, não é defeito só de JH. É mal que nos acompanha de há muito. Planejamos mal e executamos pior ainda. Prova disso foi a oportunidade perdida com a execução capenga do belíssimo Plano Mário Leal Ferreira pelo prefeito biônico Antônio Carlos Magalhães, com a cumplicidade de seus sucessores. ACM registra o mérito inegável da abertura das avenidas de vale, mas no exercício da sua malvadeza seletiva, usou a mão pesada do Estado onde quis. Mas permitiu a ocupação desordenada das margens das avenidas e assim feriu de morte a grande sacada dos visionários planejadores EPUCS (Escritório de Planejamento Urbano da Cidade do Salvador), liderados por Mário Leal. Na origem, é uma das explicações para o nosso sofrimento diário nessa cidade travada.
A controversa Avenida Atlântica terá (?) 14,6 Kms, entre a Paralela e a Orla, e passará sobre o Parque de Pituaçu numa espetacular ponte pênsil. Custo estimado: R$ 800 milhões. A Linha Viva, com 20 Kms seguindo as linhas de transmissão da Chesf, entre a Paralela e a BR-324, está estimada em R$ 900 milhões. A única coisa a ser levada a sério, de verdade, é a pólvora descoberta pelo prefeito: chegou a hora de planejar Salvador.
Essas duas avenidas são realmente necessárias. Mas a engenharia a ser empregada na abertura de vias com algumas décadas de atraso impõe demandas enormes. Para citar um exemplo palpável, porque em execução, a Via Expressa Baia de Todos os Santos, ao custo inicial de R$ 381 milhões, consumiu boa parte desses recursos para indenizar mais de 700 imóveis desapropriados. João não deixará mais do que projetos – se muito. O certo é que Salvador terá de arcar com pesados custos financeiros, ambientais e sociais pelo desleixo com o planejamento, que tem JH como ícone maior.
Ávidos para construir em qualquer metro quadrado restante, especuladores ganham como nunca ganharam antes. Ampliarão o faturamento nas próximas décadas, festejando contratos bilionários em grandes obras públicas para solucionar com pontes, túneis e elevados, o que poderia ser melhor solucionado com bom senso e respeito pelo interesse público. Isso é falta de planejamento ou há um plano sendo muito bem executado?
Com  Ernesto Marques.(facebook)

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