A disputa em Salvador: polarizada ou pulverizada?

Diz Nelson Pelegrino (PT) que a tendência em Salvador é de uma polarização entre ele e ACM Neto (DEM). Se é, é tudo o que ele, um governista de cabo a rabo (na Bahia e em Brasília), gostaria, enfrentar um oposicionista idem, o anti-Wagner, anti-Dilma e anti-Lula. Mas não parece que vai ser bem assim. A tendência é mais de pulverização.
O próprio Pelegrino não conseguiu apoios expressivos entre os principais atores da banda governista, com o PCdoB, que lançou Alice Portugal e promete ir até o fim, o PP, que jogou João Leão para, de início para se cacifar pensando em 2014 e agora, após a queda de Mário Negromonte do Ministério das Cidades, mais que nunca isso, além de defender a administração do prefeito de Salvador, João Henrique.
Também a oposição, com ACM Neto, Mário Kertész (PMDB) e Antonio Imbassahy (PSDB), não conseguiu acertar o pé. Neto vai se lançar segunda-feira (23) com uma festa digna de um candidato ao governo à revelia dos outros dois, que obviamente não vão engolir de braços cruzados. Pelo menos Kertész botou o pé na estrada.
No governo e na oposição, todos jogam em 2012 pensando em 2014, quando o petista Jaques Wagner não mais disputará o governo e a peleja será entre cristãos novos.
Traçamos um painel sobre os principais atores do embate da pré-campanha em Salvador para ajudar na compreensão das motivações de cada um. Veja:
BANDA GOVERNISTA
Os nomes: Nelson Pelegrino (PT), Alice Portugal (PCdoB), João Leão (PP), Lídice da Mata (PSB), Bispo Marinho (PRB) e Marcos Medrado (PP).
Nelson Pelegrino (PT) – Em 2008 o PT engalfinhou-se numa briga interna entre o hoje senador Walter Pinheiro e Nelson Pelegrino que quando se resolveu, era tarde. Todo mundo (os demais partidos) já estava resolvido, ficou quase só, com os dois aliados de sempre, o PSB e o PCdoB. Aprendeu a lição e em dezembro lançou Pelegrino, mas até agora não (de) colou, pelo menos do ponto de vista das alianças.
Os outros partidos governistas acham que o PT foi arrogante ao fazer movimentos assegurando a cabeça de chapa sem consultá-los, o que os coloca na condição de meros caudatários. Convencido de que será top de linha na campanha 2012, Pelegrino diz que está correndo tudo bem:
– Quem não vier agora, vem no segundo turno.
O sonho do PT é governar Salvador. Acha que assim não só pegará a maior cidade da Bahia como também se consolidará para 2014.
Alice Portugal (PCdoB) – Histórico aliado do PT, o PCdoB, em nível nacional, decidiu que está na hora de voar com as próprias asas e vai botar candidatos próprios em todas as grandes cidades onde houver condições minimamente competitivas.
Salvador é uma dessas cidades. E a deputada Alice Portugal vai cumprir a determinação nacional. O partido montou um time de candidatos a vereador e vai cavar os seus espaços até pensando em novos vôos na disputa dos governos e, quem sabe, a própria Presidência da República.
Ela será candidata até o fim, não só pensando em 2014, mas também em 2016, 2018 e por aí.
João Leão (PP) – O PP já viveu dias melhores quando Mário Negromonte assumiu o Ministério das Cidades. Filiou João Henrique, que estava zanzando depois que deixou o PMDB de Geddel, botou o deputado João Leão na Casa Civil da Prefeitura de Salvador e vislumbrou chegar em 2014 com posição garantida na chapa que Jaques Wagner encampará.
Negromonte caiu, mas mesmo assim o PP está disposto a sustentar a candidatura de João Leão, que vai cumprir duas missões distintas na campanha. Tentar assegurar o espaço que o partido julga ter conquistado em Salvador e defender a administração de João, apesar do estratosférico desgaste que o prefeito enfrenta.
É o caminho que tem, não tão tranquilo, mas o único.
Bispo Marinho (PRB) – Ligado a Igreja Universal, também está em busca de consolidar os seus espaços. O próprio Marinho afirma que já disse a Jaques Wagner:
– Somos governo e vamos continuar sendo, mas acordo só no segundo turno.
Com isso deixa implícito que não acredita em vitória, mas precisa ir a luta.
Lídice da Matta (PSB) – Nunca se colocou como candidata, mas pede respeito. Diz que gostaria de ser ouvida sobre as decisões pertinentes a Salvador, reclama que o PT pratica atos políticos desprezando os aliados, mas afirma que antes de decidir tem que ouvir o presidente nacional do seu partido, o governador de Pernambuco Eduardo Campos, e Jaques Wagner.
Eduardo é interessado declarado em projetar-se nacionalmente para postular a Presidência da República. Quer candidatos em todas as grandes cidades do país. Mas Lídice não mostra lá tanta vontade de entrar na peleja, pelo menos da forma em que o cenário está.
Ela é sempre citada como a melhor opção da banda governista. Tende mais a fechar com Pelegrino.
Marcos Medrado (PDT) – É outro que não mostra lá muita disposição de ir a luta, mas o PDT quer, alegando a necessidade de abrir espaços para os seus candidatos a vereador: já teve quatro, está com dois e busca recuperar o tempo perdido.
Diz o presidente do partido, Alexandre Brust, que caso Medrado desista, outro entra no lugar. Ou seja, há um Plano B.
BANDA OPOSICIONISTA
Os nomes: ACM Neto (DEM), Mário Kertész (PMDB) e Antonio Imbassahy (PSDB)
ACM Neto (DEM) – É o líder das pesquisas em Salvador e também o líder do DEM, um dos principais partidos de oposição a presidente Dilma, na Câmara dos Deputados, e aí estão as suas grandes vantagens e desvantagens.
Está de olho em 2014 e até quis fazer da oposição um bloco único para enfrentar o governo, desde que houvesse o compromisso de apoio a ele em 2014. Não conseguiu tal recíproca da parte de Geddel, resolveu tocar a candidatura, a ser lançada segunda, deixando os outros de lado, e seja o que Deus quiser.
Até porque, ou fazia isso ou o seu já minguado DEM morreria antes do tempo.
Mário Kertész (PMDB) – O ex-ministro Geddel rompeu com Jaques Wagner e se apoiar ACM Neto aqui, declara guerra a Dilma, o que ele não quer, porque perderia os espaços que tem no governo federal. Pinçou Mário Kertész, um nome já feito, para tentar manter-se vivo na política de Salvador depois que em 2008 elegeu João Henrique e foi jogado para escanteio.
Se nada der certo, vai com Alice Portugal, mas a esta altura do campeonato está mais para tocar o seu próprio projeto. Todos os movimentos de Kertész é de quem será candidato para valer.
O PMDB tem tempo de televisão, um dos seus grandes trunfos.
Antonio Imbassahy (PSDB) – Sonha em voltar a Prefeitura de Salvador e aceitaria apoiar Neto em 2014 em troca da recíproca agora, mas sofre pressões em nível nacional por conta das barganhas como o apoio do tucanato em Salvador em troca do apoio dos Democratas a José Serra em São Paulo.
Provavelmente será vencido pelas pressões, mas jamais será o vice de Neto, como pretende o Democrata.
Acha que isso seria um acinte.(247)

