A novela dos portos baianos

Era dia 3 de dezembro de 2011, quando os executivos do Terminal de Contêineres do Porto de Salvador (Tecon) apresentaram a imprensa baiana os três novos portêineres (grandes guindastes que movimentam os contêineres entre os navios e o porto) que entrariam em funcionamento até o início de fevereiro. Com os equipamentos, o Porto de Salvador se tornaria capaz de atender os maiores navios de contêineres em operação do mundo e aumentaria em 40% sua capacidade. “Passamos de 37 movimentos de contêineres por hora para 55 movimentos”, informava Demir Lourenço Júnior, diretor executivo do Tecon Salvador (empresa que administra o terminal de contêineres em Salvador).
Nesta quinta-feira (15), Demir Lourenço Júnior prometia que os portêineres iriam entrar em operação ainda no final deste mês, mas estes equipamentos pouco ainda poderão mudar a história do Porto de Salvador.
Dragagem
Em dezembro de 2010, estavam concluídas as obras de dragagem dos Portos de Salvador e Aratu. As obras aumentaram a profundidade dos portos de 12m para 15m. Isto significa que a Bahia estaria finalmente preparada para receber os maiores navios do mundo e tentar reverter um pouco do seu atraso com a baixa capacidade operacional dos portos. Mas é aí que entra um detalhe.
Ainda nesta quinta-feira pela manhã, durante um evento da Câmara Americana de Comércio, Lourenço lembrou que para os navios entrarem nos portos, a obra precisa ser homologada pela Marinha, o que até hoje não aconteceu. “Das obras de dragagem feitas em 2010, em todo o país, até agora nenhuma foi homologada”, entregou o diretor executivo da Tecom.(247)
O que isto significa?
Todos os três portêineres, que foram anunciados desde dezembro de 2011, inclusive com a presença do governador Jaques Wagner, não trariam a capacidade operacional para o porto, porque aqui ainda não atracariam os grandes navios, que os empresários baianos também esperam.
Investimentos
Os investimentos nos equipamentos, na dragagem do porto (que teve um aprofundamento de 12 para 15 metros) e na ampliação do berço (que passou de 210 para 377 metros), foi de R$ 180 milhões. Com os novos portêineres, o porto passará a operar com seis equipamentos desse tipo.
Ainda na ocasião da inauguração dos portêineres, o presidente da Associação de Usuários dos Portos da Bahia (Usuport), Marconi Oliveira, lembrou que todos os investimentos na expansão dos portos são bem-vindos, mas que a Bahia ainda se encontra defasada há 10 anos quando o assunto é infraestrutura portuária. “O que precisamos ter essas expansões de forma mais rápida, porque estamos perdendo indústrias para outros estados por causa disto”, comentou na época. Mudou alguma coisa de dezembro para cá, foi questionado nesta quinta-feira ao diretor executivo da Usuport, Paulo Villa, resumidamente, ele respondeu: “Nada mudou”.(247)

