Brasileiras sequestradas no Egito faziam excursão; governo negocia com beduínos

Duas adolescentes brasileiras foram sequestradas na península do Sinai, no Egito, por beduínos armados.
Segundo a embaixada brasileira no Cairo, elas estavam num grupo de 45 turistas que seguia para o mosteiro de Santa Catarina, que fica no sopé do monte Sinai.
O Itamaraty informou que já estão em curso negociações para libertar as jovens. Segundo a chancelaria, as conversas com os sequestradores estão sendo conduzidas pelo Ministério do Interior egípcio e acompanhadas de perto pela embaixada do Brasil no Cairo.
O ônibus em que estavam foi parado pelos beduínos e quatro pessoas foram levadas: o guia e um segurança, ambos egípcios, e as duas brasileiras.
Uma das menores de idade é filha de um pastor que estava no grupo. Os demais brasileiros estão em segurança, sob a guarda da polícia egípcia.
A embaixada brasileira está em contato com o pastor e com a polícia, que negocia com os beduínos. As autoridades egípcias disseram que esperam a libertação das brasileiras ainda neste domingo (o Egito está cinco horas à frente do horário de Brasília).
Casos de seqüestros tem sido frequentes no Sinai, onde a segurança afrouxou depois da queda do ex-ditador Hosni Mubarak, há um ano.
Em janeiro, 25 operários de construção chineses foram capturados, sendo libertados 15 horas depois. Dias depois, duas americanas foram levadas de um grupo de turistas e foram soltas horas depois. Nos dois casos, ninguém foi ferido.
Em fevereiro, beduínos sequestraram três turistas sul-coreanos na mesma região. Em geral, o que os beduínos pedem é a libertação de parentes e amigos presos.
No último ano, o Sinai virou um grande problema de segurança para a junta militar que governa o Egito. Explosões no gasoduto que serve Israel e Jordânia tornaram-se rotina, numa área vasta e mal policiada.
Os beduínos há muito se queixam de discriminação por parte do governo, e a queda de Mubarak criou um vácuo de poder que eles usaram para aumentar a pressão.
Na semana passada dezenas de beduínos armados cercaram durante seis dias uma base da Força Multinacional de Observadores, contingente criado em 1979 pelo acordo de paz entre Egito e Israel. O cerco terminou após negociações com a polícia e o Exército. (Tribuna)

