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ACM Neto apimenta disputa em Salvador


ACM Neto apimenta disputa em Salvador
Na lógica de que em Salvador tudo acontece depois do carnaval, antena ligada: é nos próximos 60 dias que o cenário da disputa de 2012 se define. E está tudo indicando que a peleja, até agora modorrenta, mesmo nos bastidores, vai ser bem apimentada.
ACM Neto arruma malas e bagagens para entrar em campo, o que dá um up grade no debate. Geddel não conseguiu a unidade pretendida em torno de Mário Kertész, mas insiste no projeto e a base governista de Jaques Wagner caminha para as urnas como está, pulverizada. Em suma, ACM Neto aparece como o arauto da oposição e os demais formam uma miscelânea que configura um embate de resultados imprevisíveis.
Em algum momento chegou a parecer que a disputa se daria entre governistas, com Nelson Pelegrino (PT), Alice Portugal (PCdoB) e João Leão (PP) no olho do furacão. Só aparência. Os três sustentam as candidaturas, não arredam o pé e não dão qualquer sinal na possibilidade de recuo. Somados, conforme as pesquisas até agora divulgadas (incluindo a senadora Lídice da Mata, que nem se colocou como candidata, mas é quem melhor pontua, entre os governistas), são majoritários, mas há um detalhe: ACM Neto ultrapassou os tradicionais 30% do carlismo, o que é um ingrediente novo.
Se se pergunta a Neto como está ele diante da sucessão de João Henrique, é lacônico:
– Estou observando a cena. Prefiro não falar.
É estratégia. Caladinho, ele vai se articulando. Em 2008 estava quase só. Teve apenas o apoio do PRB do Bispo Marinho, nada mais, além do carimbo (da grife) do carlismo, na época, algo parecido com o atraso, o embaixador dos tempos do avô, na época, recém-falecido. Agora já não está tão só. É quase certo que terá o PSDB de Antonio Imbassahy, corteja o PR de César Borges e espera outras definições, como a de Geddel, algo pouco provável, mas quem sabe.
Conta também com um fato novo. Na medida em que o PT vai amadurecendo (e apodrecendo) no poder, cada dia mais vidraça em episódios em que antes era só pedra, como a greve da PM, Neto vai se firmando como desaguadouro sério das insatisfações coletivas. Muito provavelmente por isso, ele ultrapassou os 30% tradicionais. E se torna um candidato competitivo, intramuros, governistas mostram alguma inquietação com o fato.
Em suma, Neto está na briga como candidato competitivo.
A questão Geddel
Quando se cogitava os nomes de Neto, Imbassahy e Mário Kertész para dos três tirar um, criou-se uma situação que tinha todos os ingredientes para não dar certo.
Mário seria o polo aglutinador, mas Neto hesitava. Indagava-se; por que jogar o cacife dele numa aposta que em 2014, o sonho maior dele, poderia não vingar? Quer disputar o governo, mas Geddel o apoiaria? A julgar pela situação de hoje, todos os indicativos são negativos.
Se pudesse, até que Geddel daria a recíproca a Dilma. Em 2010, ela chegou a vir para o lançamento da candidatura dele ao governo, mas no meio da campanha puxou o tapete ou passou a rasteira. Acontece que Dilma vai bem no governo e a oposição vai muito mal. Sequer tem um nome. Aécio Neves, a esperança de alguns, deu chabu como senador. Não disse a que foi. E José Serra está no encalço dele. A coisa empacou aí, com Geddel preferindo não arriscar o que lhe resta de poder e Neto reticente em dar sem receber.
Na eleição do prefeito de Salvador de 2008, assim que o segundo turno se configurou entre Walter Pinheiro, candidato do PT, hoje senador, e João Henrique, então no PMDB de Geddel, mas ainda aliado de Jaques Wagner, os líderes petistas procuraram Neto, o terceiro colocado e adversário histórico. Queriam apoio, não obtiveram, entraram com uma proposta inusitada: que ele não se envolvesse na disputa.
Neto ouviu a proposta perplexo, tão perplexo que nada respondeu. Depois, resmungou:
– Veja só quanta pretensão. Eles querem nos dizer o que nós, da oposição, devemos fazer.
O DEM, mesmo minguado após a débâcle do carlismo, decidiu pela lógica, fechar com João Henrique, então apadrinhado de Geddel, muito mais na pretensão de dar uma paulada no PT, do que engordar o cacife do PMDB.
Se fosse jogar só por jogar, pela emoção ao invés das conveniências, bem que Wagner gostaria de ver Geddel agora dar a recíproca a Neto. Ganharia as condições de colocar o peemedebista de vez na oposição, com forte argumento diante de Dilma, para surrupiar-lhe o que ainda resta de poder. Mas olhando as pesquisas, talvez não seja um negócio tão bom.
Embora Wagner já tenha dito numa reunião com líderes partidários que não tem candidato preferencial em município algum, na ótica petista, ganhar Salvador é questão de honra e assistir Geddel fazer tal movimento seria engrossar o caldo de um perigo real.
Geddel já avisou a Neto que não pode apoiá-lo. Diz que não quer antecipar 2014 para 2012. Insiste com o nome de Mário Kertész mesmo que vá só. Em último caso, aciona o Plano B, vai de Alice Portugal. Neto, por seu turno, prefere encarar do que apostar no nada. Ou, como diz um aliado dele, sempre dar, sem nem expectativa de receber.
Cada um por si
‘O governo que tome cuidado. Pelegrino não decola’.
A frase aí é muito ouvida nos bastidores da banda governista, entre os que tendem a fechar com o PT logo de saída.
Nelson Pelegrino, o governista principal, se arrasta nas pesquisas atrás de ACM Neto e Lídice da Mata.
Os que se preocupam com o fato dizem não ter referências para dar pitaco, especialmente depois que Wagner disse não ter candidatos preferenciais em município algum. A linha de Wagner é ‘cada um que se viabilize’. E sendo da base, depois ele entra em cena, se julgar conveniente. Onde houver vários governistas em disputa, como é o caso de Salvador, ficará de fora.
Wagner é dos que acham que eleições municipais obedecem a uma lógica própria. Elegeu-se em 2006 com apoio de apenas 70 dos 417 prefeitos e em 2010, ganhou em municípios onde os prefeitos, apesar de bem avaliados, estavam contra, como Mata de São João.
Os petistas não se abalam. Trabalham com o pressuposto de que Pelegrino fica na frente entre os governistas e no segundo turno, aglutina todos para matar a eleição.
É a tática do cada um por si. Não só Pelegrino, mas também João Leão (PP), Alice Portugal (PCdoB) e o Bispo Marinho (PRB), governistas de carteirinha, pensam da mesma forma. Retirar candidatura agora, nem pensar. No segundo turno, se conversa. Claro, todos dizem, por conveniência ou convicção, que estarão lá.
E vão se unir? Sim. Aí, a questão é maior. Entram as conveniências federais.
E João Henrique, como fica? Com Leão, num primeiro momento, com o governista, no segundo turno. Agora, está mais empenhado em ver suas contas aprovadas, é verdade. E precisa de um palanque para defender o seu governo. Adiante, está de olho na vaga de senador em 2014.
Resta saber como ficaria Geddel num eventual segundo turno, por exemplo, entre um dos governistas ACM Neto.
Os governistas olham Geddel meio de banda. Dizem que ele deixou de ser apenas adversário de Wagner e se tornou inimigo. Mesmo agora pensam duas vezes antes de cantar o PMDB.
Esse é o jogo que está sendo jogado. As cartas estão na mesa.(Bahia247)

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