Teste rápido para Covid criado na USP é 5 vezes mais barato

Pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um teste rápido para Covid-19 com custo aproximadamente de R$ 30, cinco vezes mais barato que os testes convencionais já comercializados.

O novo dispositivo, chamado de “Teste Popular Covid-19”, foi criado com o objetivo de facilitar a testagem em massa no Brasil. O resultado sai em até 10 minutos.

Com caráter inovador, o dispositivo também será capaz de revelar se o paciente produziu anticorpos após receber uma determinada dose de vacina, podendo auxiliar o médico a identificar a necessidade de acompanhamento do paciente no processo de imunização.

O teste já está pronto para produção em larga escala e em breve passará pela regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa é de que o produto esteja disponível para comercialização em até dois meses.

Como funciona?

O dispositivo analisa uma gota de sangue retirada do paciente em busca de anticorpos que permitam detectar a doença.

A estratégia empregada para baratear a produção foi otimizar a quantidade de insumos do material e utilizar nanopartículas para localização dos anticorpos.

As nanopartículas possuem uma molécula sonda, que foi desenvolvida pelo IQSC em parceria com a empresa de biotecnologia BioLinker, que ficam na cor vermelha quando entra em contato com algum anticorpo.

Made in Brazil
Segundo o professor e coordenador da pesquisa, Frank Crespilho, esse método é similar aos encontrados nas farmácias, porém, é mais preciso, mais barato, requer menos reagentes e pode ser produzido integralmente no Brasil.

Crespilho contou que ele e sua equipe produziram os testes em aproximadamente quatro meses, o que é um tempo recorde. E que, agora, a ideia é favorecer as populações mais vulneráveis.

“Temos que pensar na população brasileira, esse é o papel da USP. Todos os dias acordo feliz por ter o privilégio de coordenar uma equipe que está trabalhando incessantemente para produzir ciência de alto nível. A nossa ideia é que possamos fazer uma análise em massa da população, com um custo bem mais competitivo e viável para a nossa realidade econômica”, explicou.

Os pesquisadores afirmaram que buscam inovar em aspectos tecnológicos que permitam a realização de testes de uma forma mais rápida, não perdendo a seletividade e especificidade.

O procedimento de testagem, segundo eles, é de fácil execução e não demanda estrutura laboratorial.

Foto: Karla Castro-USP

(G1)

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