Análise: O ganho político local frente a especulação da ponte nas eleições da Ilha

Por Joaca de Castro.

Os olhos mais ambiciosos do mundo moderno recaem sobre uma nova rota de desenvolvimento que liga o oriente ao ocidente, via pacífico, pra acessar o continente Europeu, as Americas e a África, sem perder tempo em territórios hostis. E isso também é sobre a política de Vera Cruz e Itaparica no ano de 2020 (mas poucos ou ninguém quis falar disso).

Talvez por causa de alguns afundados na pequenez de quem não consegue ver o outro como igual, e outros na vontade de querer ser alguém quando o processo (que já começou antes mesmo de iniciar) chegar, mas a verdade é que, de forma muito bem articulada, o atual gestor de Vera Cruz, Marcus Vinicius (MDB) fez história na Ilha inteira no dia 15 de Novembro, dia da proclamação da República, data que foi esquecida diante da festa da democracia nas urnas.

Com mais de 86% dos votos, Vinicius fez história não apenas na cidade, mas em todo o estado da Bahia, como um dos prefeitos mais bem avaliados. Oras, reeleição é a forma mais eficiente de avaliar um gestor, superando inclusive institutos de pesquisa.

Foi uma campanha que só conseguiu ser entendida com o resultado. Num lance pragmático fuminante e extraordinariamente certeiro, o prefeito de Vera Cruz simplesmente travou uma guerra com as linhas de socialismo e de esquerda tanto em Vera Cruz como em Itaparica e conquistou o que vou chamar – pra ser modesto – de Vitória, e não de extermínio. Sem demagogia, sem debate, sem propostas, simples e puramente entregando obras e ganhando a adesão da maioria de ponta a ponta, além de uma estrategia quase invencível ao montar um exército político impecavelmente alinhado, Vinicius “brocou” nas urnas de Vera Cruz e ajudou seu ex sogro, o empresário Zezinho Oliveira, a chegar no Poder em Itaparica, desbancando a socialista Marlylda Barbuda que, apesar da excelente doutrina administrativa alinhada ao conceito social de fazer política, esqueceu que o “Negócio da China” chegou no quebra mar da ilha cercada de pedras, e não soube articular a política pragmática e positiva que garante reeleição a qualquer gestor mais preocupado com o resultado do jogo do que com o jogo em si.

Se, por um lado, Vinicius pode garantir o título de melhor articulador político da historia da ilha, desbancando nomes como Cláudio Neves, António Magno, Nicandro, Aginoel e outros nomes mais antigos que ainda permeam a memória de alguns, Marlylda, por sua vez, conseguiu se isolar em sua ilha demagógica e, pela falta de articulação nos momentos finais do pleito em que vinha vencendo, perdeu sozinha as eleições em Itaparica, tendo sido responsável inclusive pela garantia de que Vera Cruz decidisse a política na cidade mãe da ilha.

Mas onde o “Negócio da China” entra ou tem a ver neste processo? Vera Cruz precisava reagir diante do “Boom” que estar por vir com a chegada da ponte. Quem a “comprou” sequer pisou aqui. Nenhuma discussão política, social, ambiental ou administrativa sobre ela foi travada escutando ou compartilhando ideias de gente daqui. E é por isso que o resultado das urnas, ruim pra alguns, excelente pra maioria, é tão importante agora. Aliás, nunca foi tão importante.

Montar um exército politico pra garantir um resultado que vai muito além do confortavel, diga-se de passagem: emblemático, creio ter sido a menor das estratégias do prefeito Vinicius, uma vez que a região se vê como berço de uma força politica de mais de 26 mil votos em apenas 2 cidades. E é óbvio que isso refletirá na política de 2022.

O que pode parecer pra muitos a hegemonia do Poder, do dinheiro e da afirmação de um imperador, em linhas mais positivistas e pragmáticas pode ser visto como a jogada política de mestre pra não entregar o “ouro” nas mãos da especulação forasteira e manter, ainda que em grupos restritos, o ganho de decisão por aqui mesmo, com os daqui. E pra ser daqui e conseguir esse ganho de decisão, só uma jogada assim, como fez Vinicius, mostrando que ele é o exemplar tupinambá perfeito pra política capitalista da Direita Progressista deste país.

Não se enganem com as linhas escritas acima. A análise deve e será, daqui em diante, fria e calculista como os dedos de um bancário na calculadora científica. Pois Vera Cruz saiu do patamar de pedaço de paraiso rude e pitoresco pra entrar na rota da especulação e do interesse capital de todas as forças e frentes. E se pra defender esse “ouro” for preciso entender a metamorfose política dessa cidade como um ganho ou uma arma, aqui estamos nós para estudar como bem usá-la.

As urnas não mentem, assim como a matemática. Da mesma forma, o capital não pára. E Vera Cruz não vai parar.

Visão Cidade

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