Câmara Itinerante teve apelo dos setores de eventos e transporte escolar

O desabafo emocionado da representante do segmento de transporte escolar, Isabel Cristina Lima de Menezes, contagiou a todos os oradores da sessão da Câmara Itinerante, a primeira deste ano, realizada de forma semipresencial, na tarde desta segunda-feira (14). Ela narrou o desespero da categoria, que conta com 700 motoristas regularizados só em Salvador: “Estamos parados há seis meses e muitos colegas estão entregando os carros porque precisam sobreviver. Não tivemos nenhum socorro até agora e para cumprir as exigências temos que ter carros caros. Já tem colegas morrendo, não estamos aqui pedindo esmolas”.

A sessão foi aberta pelo presidente da Câmara Municipal, vereador Geraldo Júnior (MDB), que passou a direção ao vereador Luiz Carlos Suíca (PT), “em reconhecimento pelo belíssimo trabalho que vem desempenhando na coordenação da Câmara Itinerante, esse projeto que tem sido referência para todo o Brasil”. Além de Suíca, as vereadoras Marta Rodrigues (PT) e Aladilce Souza (PCdoB) compuseram a mesa dos trabalhos.

As vereadoras propuseram a união das bancadas de oposição e independente para uma audiência com o prefeito ACM Neto e a discussão dos apelos formulados na sessão itinerante em uma reunião do Colégio de Líderes. Suíca apoiou a iniciativa e classificou a sessão como altamente produtiva, por permitir ouvir as demandas da cidade apesar do distanciamento social recomendado pelas autoridades de saúde para evitar a contaminação do novo coronavírus. “As pessoas precisam não só de cestas básicas, mas do resgate da dignidade”, frisou.

Moratória

Isabel Cristina contou que um motorista de transporte escolar enfartou diante do desespero em ter que devolver o carro, por não conseguir honrar as dívidas: “Eu estou aqui pedindo compaixão com os transportadores escolares. Teve socorro para taxistas e motoristas de aplicativo, para outras categorias, mas para o nosso segmento nada”. E lamentou, sem conseguir finalizar sua fala devido à emoção: “Pagamos tributos e muitos estão passando fome. Estamos nos unindo para ajudar uns aos outros. Nossa urgência é para ontem, não nos abandonem. Estamos morrendo não só de Covid-19, essa doença cruel, mas também de depressão, de suicídio….”.

Outra que também expôs com emoção as dificuldades enfrentadas durante a pandemia foi Mariana da Costa, representante do setor de eventos e entretenimentos, parado há seis meses. “Somos considerados não-essenciais, mas empregamos milhares de pessoas por meios de mais de 700 empresas e milhares de autônomos. Só recebem, vez por outra, uma cesta básica, mas precisamos é de oportunidade, de atitude efetiva”, disse ela.

Cláudia Cristina Gonçalves de Oliveira falou da situação das famílias que estão na base da pirâmide, sobretudo as mulheres negras, maioria da população de Salvador. “Nossa situação só se agravou com essa pandemia”, observou, classificando a sociedade como racista e machista. Falaram na sessão da Câmara Itinerante, ainda, Tiago Ramos, da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, e Edilailton José Conceição, pequeno comerciante da Estrada das Barreiras.

O vereador Edvaldo Brito (PSD) protestou contra o “engavetamento” de projetos de sua autoria, apresentados desde maio na Câmara, para enfrentamento dos impactos econômicos da pandemia da Covid-19, incluindo o que propõe moratória dos impostos e taxas municipais. “Como vocês, também gritamos todos os dias e não somos ouvidos”, desabafou.

Os vereadores Silvio Humberto (PSB) e Marcos Mendes (PSOL) também se referiram à dificuldade enfrentada pela bancada da oposição para ter seus projetos aprovados. “Tenho um irmão taxista que está passando necessidade e a prefeitura só incluiu os com mais de 60 anos no Salvador por Todos. Mas deu isenção de ISS para empresários de ônibus e hotéis”, enfatizou Mendes. “Precisamos estender o cobertor do Salvador por Todos. Só os setores poderosos são ouvidos”, complementou Sílvio.

Câmara Municipal de Salvador

Foto: Carlos Alberto

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