Vidas negras importam e ele só tinha 5 anos

Essa foto está circulando pela internet, como uma forma de protesto. Só não consegui os créditos para dar a quem tirou, mas diante de todo esse contexto dessa história trágica, isso é o que menos importa agora, mas sim a morte precoce de uma criança de 5 anos, negra, sem muita repercussão na mídia. Por que será?
Alguns erros nos fazem refletir, vejamos:
1 – a patroa, senhora Sarí Gaspar, primeira dama da Cidade de Tamandaré, em Pernambuco, mostra que quebra o isolamento mandando sua empregada doméstica passear com os cachorros na rua, que por sinal deveria estar afastada por conta da quarentena e evitado o passeio desafiando o Covid19.
2 – a criança chora porque sente falta da mãe, mas a falta de paciência faz com que a patroa coloque uma criança de apenas 5 anos no elevador, onde todos sabem que é proibido a permanencia delas sozinhas.
3 – Sarí Gaspar, se pode ver pelas câmaras do elevador, que a mesma aperta o nono andar, o da cobertura, e não o térreo onde talvez pudesse encontrar sua mãezinha, nos fazendo crer que queria deixar o menino atordoado, parando de chorar perto dela.
É certo que a senhora Sarí Gaspar não imaginou que a criança ia despencar lá de cima, não seria tão perversa ao ponto de desejar a morte de uma criança, simplesmente por não tolerar seu choro, ou sua teimosia. Eu quero crer nisso, que ela não lembrava que na cobertura não havia segurança nenhuma para uma criança de apenas 5 anos, mas isso aí que fique na consciência dela…
Enfim, esse protesto aí mostrado pela foto de um desconhecido, mostra a revolta que ficou, ainda mais quando se sabe que no Brasil é só pagar uma fiança de 20 mil reais, como foi feito, e a primeira dama responderá o processo em liberdade… E como fica a empregada doméstica? Fica com sua dor, com a lembrança de seu desespero ao encontrar seu filho morto na mesma rua onde sua patroa ordenou que fizesse o passeio com o animal, sem saber que o animal na versão da história, era a própria patroa, em quem confiou a guarda momentânea de seu filho, sem saber que ela, a primeira dama, o conduziria a morte…
Mas com tudo isso fica uma pergunta no ar: e se Sarí Gaspar fosse negra, a repercussão desse caso já teria ganhado o mundo?… o certo é que quem perdeu a vida foi o garotinho, e o protesto nos remete ao restegue #paredenosmatar, sejam de qualquer cor ou etinia…

Por: Sarita Rodrigues
@jornalilhadeitaparica

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