Casuísmos da imprensa fomenta guerra nas redes sociais



Jornalistas que não checam suas pautas e leitores que não leem insuflam nas redes sociais o clima de nós contra eles. Isso é péssimo para a democracia

Nos últimos dias, as redes sociais encheram-se de indignação. Pessoas indignadas por conta das cores das roupas das crianças, da morte de índios e da extinção de benefícios direcionados a presidiários. Até profissionais de comunicação, formadores de opinião e obrigados a ter uma rotina de leitura, passaram a basear suas matérias em trechos de declarações desta ou daquela autoridade de plantão.

Vou deixar claro de início que não pretendo defender correntes políticas ou ideologias, enquanto homem de comunicação sou norteado pelos fatos.

Assim, as redes sociais descobriram que no Brasil não existe política pública eficaz para defender a população indígena. Apesar das fotos de vários presidentes abraçando e beijando pequenos curumins ou dançando é rituais indígenas, nenhuma política foi criada nos últimos 30 anos para proteger verdadeiramente os índios e suas terras. A descoberta faz crer que a chacina que solapou a vida de 19 nativos brasileiros é coisa de hoje e só começou a acontecer, por incrível que pareça, nessa semana. Se não fosse má fé seria uma constatação absurda.

Pensar que os índios foram vítimas das ações ou inações do novo governo é o mesmo que pensar que beijo engravida. O buraco é mais embaixo. Basta ver que em 30 anos da história recente do Brasil, centenas de índios foram mortos em disputas de terra ou até mesmo por mera crueldade – Lembrem do caso do índio

Gaudino – Essa amnesia seletiva é grave. Muita mais grave ainda quando exercida por jornalistas que têm, por ofício, a obrigação de praticar a imparcialidade.

O casuísmo que reina nas redes sociais é oriundo de redações onde fala mais alto a paixão política do que a rotina jornalística da apuração, checagem, contraditório e pesquisa histórica . Uma vergonha que depõe contra a profissão e só colabora para que não se desarmem os palanques eleitorais que teimam em permanecer ativos.

Quando quem deveria informar desinforma se percebe o perigo do manejo inadequado do poder da mídia. Soma-se a isso o hábito nacional da não leitura. Brasileiros não leem textos, apenas manchetes. Com esse hábito duvidoso colaboram com a disseminação de notícias falsas e distorcidas. Juntando a falta de leitura com o casuísmo da imprensa, temos um coquetel perigosíssimo para a democracia.

(Giro Politico)



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