Instabilidade e falta de recursos prejudicam implementação de acordo ortográfico

Em 1º de janeiro, as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa tornaram-se obrigatórias no Brasil. A intenção é que as palavras em português sejam escritas da mesma forma em qualquer um dos países que falam o idioma. A Agência Brasil conversou com a diretora executiva do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), Marisa Mendonça, para saber como está a implementação do Acordo nos demais países de língua portuguesa.
“Os países estão em estágios completamente diferentes. Não só no que tange a decisão das autoridades [responsáveis por ratificar e coordenar o processo de implementação], mas nas possibilidades financeiras e de recursos humanos para apoiar esse processo”, avalia Marisa.
Com sede em Cabo Verde, o IILP é uma instituição da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) com personalidade jurídica e autonomia científica, administrativa e patrimonial. O instituto monitora a implementação do acordo em cada país e oferece apoio no processo. Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

No Brasil
Apesar de terem se tornado obrigatórias apenas este ano, as novas regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa já estão presentes em livros, veículos de comunicação, comunicados oficiais do governo e materiais didáticos usados pelas escolas em todo o país. Segundo o integrante da Academia Brasileira de Letras, Evanildo Bechara, acadêmico, professor e filólogo, o que faltava ao Brasil era a obrigatoriedade.
“O que estava faltando era entrar em vigor, todo mundo passar a usar. Quando todos usarem as novas regras, as deficiências serão ressaltadas e, então, se impõe algumas mudanças”, diz Bechara. Ele exemplifica o que ocorreu no Brasil há alguns anos. Até agora, o Brasil usava um sistema definido em 1943. Em 1971, o país fez algumas mudanças. Retirou do idioma escrito, por exemplo os acentos diferenciais: antes, escrevia-se êle e govêrno, palavras hoje sem acento.
Assinado em 1990 com outros Estados-Membros da CPLP para padronizar as regras ortográficas, o acordo foi ratificado pelo Brasil em 2008 e implementado sem obrigatoriedade em 2009. De acordo com o Ministério da Educação, o acordo alterou 0,8% dos vocábulos da língua portuguesa no Brasil e 1,3% em Portugal.
O português, explica Bechara, era a única língua com grafias diferentes, o que dificulta a publicação de documentos de organismos internacionais no idioma, que tinham de ser adequados à grafia de Portugal e do Brasil. “Isso dificulta a difusão e a expansão da língua no mundo. Como a língua portuguesa está entre as mais faladas, exige maturidade política e uma decisão científica no sentido de chegar a um acordo”, comenta. “Essa unificação não significa unificar a língua. Portugal e Brasil continuarão com as respectivas pronúncias. A reforma é na língua, para resolver um problema ortográfico.”
(Agência Brasil)


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